Comissão da Câmara debate homeschooling em audiência pública nesta terça (9), em Brasília

Discussão proposta por Nikolas Ferreira (PL-MG) trata de liberdade educacional, segurança jurídica das famílias e possíveis impactos para crianças e adolescentes, no contexto do PL 1.338/2022 e de entendimento do STF sobre falta de regulamentação federal.

09/06/2026 às 10:24 por Redação Plox

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (9), em Brasília, uma audiência pública para discutir a educação domiciliar, conhecida como homeschooling. O debate foi proposto pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e tem como foco a liberdade educacional, a segurança jurídica das famílias e os impactos da prática para crianças e adolescentes.

Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A reunião está convocada para as 16h30, com local ainda a definir, segundo a agenda oficial da Câmara. Entre os convidados estão representantes de entidades ligadas à educação domiciliar, advogados especialistas no tema e pais que adotam essa modalidade de ensino. Parte dos participantes aparece na programação como presença confirmada, presencial ou remota.

Famílias e insegurança jurídica

No requerimento apresentado à Comissão de Educação, Nikolas afirma que a falta de uma legislação nacional específica tem gerado insegurança jurídica para famílias que assumem diretamente a educação dos filhos. O parlamentar cita casos de pais que, mesmo alegando manter rotina estruturada de estudos em casa, foram alvo de processos por abandono intelectual.

A audiência deve ouvir famílias que praticam a educação domiciliar e especialistas convidados para tratar dos limites legais, da fiscalização pelo poder público e da responsabilidade dos pais no processo de aprendizagem. O tema costuma dividir opiniões no Congresso e no setor educacional, com defensores apontando liberdade de escolha e críticos cobrando garantias de acompanhamento escolar, socialização e proteção integral das crianças.

Projeto está parado no Senado

O debate também ocorre no contexto da tramitação do Projeto de Lei 1.338/2022, que prevê a possibilidade de oferta domiciliar da educação básica. A proposta foi aprovada pela Câmara em 2022 e está em análise no Senado Federal, onde aparece como matéria em tramitação e sob relatoria da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).

O texto aprovado pela Câmara prevê que estudantes em educação domiciliar estejam matriculados em instituição de ensino, que deverá acompanhar a evolução da aprendizagem. A proposta também estabelece exigências aos pais ou responsáveis e regras de avaliação, mas só terá validade nacional se for aprovada pelo Senado e sancionada.

O que decidiu o STF

A discussão tem como pano de fundo decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o tema. Em 2018, no julgamento do Tema 822, o STF entendeu que não existe direito público subjetivo da família ao ensino domiciliar sem regulamentação legal. Mais recentemente, a Corte reafirmou que a criação e a regulamentação da modalidade dependem de lei federal aprovada pelo Congresso Nacional.

Na audiência, a Comissão de Educação deve tratar justamente desse vácuo legal: enquanto não houver uma lei nacional em vigor, a prática segue em área de insegurança jurídica, com casos analisados individualmente por conselhos tutelares, Ministério Público e Justiça. A reunião foi convocada para subsidiar o debate legislativo sobre o tema.

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