Minas aplicou mais de 82 mil doses da vacina contra dengue do Butantan

Em Minas Gerais, foram aplicadas pouco mais de 82 mil doses antes da interrupção; medida foi tomada por precaução com a Anvisa e não afeta a Qdenga usada no SUS para público de 10 a 14 anos.

09/06/2026 às 19:29 por Redação Plox

Minas Gerais aplicou pouco mais de 82 mil doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan antes da suspensão temporária determinada pelo Ministério da Saúde. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informados ao Estado de Minas, o estado recebeu 178 mil doses do imunizante até o momento. A interrupção foi anunciada nessa segunda-feira (8) e vale apenas para a Butantan-DV, sem afetar a aplicação da Qdenga, usada no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Imunização contra a dengue

Imunização contra a dengue

Foto: Instituto Butantan/ Divulgação

Suspensão é preventiva

O Ministério da Saúde informou que a medida foi tomada por precaução, em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após a identificação de 42 casos raros com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Entre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos ainda em investigação. A pasta reforçou que, até o momento, não há conclusão sobre relação causal entre os episódios e a vacina.

A estratégia com a vacina do Butantan havia começado em janeiro e incluía profissionais de saúde da Atenção Primária, além de públicos definidos em áreas selecionadas, como Nova Lima (MG), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e a região de Araguaína (TO). Em Minas, a SES-MG já havia informado que Nova Lima fazia parte de um estudo-piloto nacional para avaliar o impacto da imunização em moradores de 15 a 59 anos.

Orientação a quem recebeu a vacina

Quem recebeu a Butantan-DV deve observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. A recomendação oficial é procurar atendimento médico imediatamente em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral. As doses que estão em estoque não devem ser descartadas; elas devem permanecer armazenadas na rede de frio até a conclusão das investigações.

A Anvisa informou que vai criar um painel de especialistas, com representantes do meio acadêmico e da comunidade científica, para aprofundar a investigação epidemiológica sobre a Butantan-DV. A agência também solicitou novos dados ao Instituto Butantan, que serão avaliados em conjunto com o Programa Nacional de Imunizações. Segundo a Anvisa, a medida não afeta outras vacinas contra dengue registradas no Brasil.

Situação em Belo Horizonte e Nova Lima

Em Belo Horizonte, a vacinação com o imunizante do Butantan começou em 20 de fevereiro e foi destinada a profissionais de saúde. Segundo a Prefeitura de BH, cerca de 3,5 mil trabalhadores receberam a dose, sem registro de eventos adversos graves na capital até a suspensão. Em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a prefeitura informou que foram aplicadas 27.278 doses desde janeiro e que três notificações suspeitas foram avaliadas e descartadas como eventos graves atribuíveis à vacinação.

Cenário da dengue em Minas

O boletim mais recente da SES-MG mostra que, até 8 de junho, Minas Gerais registrava 63.726 casos prováveis de dengue, sendo 32.590 confirmados. O estado tinha 22 mortes confirmadas pela doença e outros 37 óbitos em investigação. A continuidade ou retomada da vacinação com o imunizante do Butantan dependerá das conclusões técnicas do Ministério da Saúde e da Anvisa.

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