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O senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a liderança do PT no Senado já com uma missão política sensível: tentar reabrir o diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo reportagem da Itatiaia, uma conversa reservada entre os dois deve ocorrer nos próximos dias, em meio ao desgaste que travou parte da articulação do governo no Senado.
O presidente Lula (esq.) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (dir.)
Foto: • Ricardo Stuckert/PR
O movimento ocorre um dia depois de Camilo defender publicamente uma atuação marcada pelo diálogo e pela negociação com as diferentes forças políticas da Casa. Ao assumir a liderança da bancada petista, o senador também passou a presidir a Comissão de Educação do Senado, ampliando seu papel na articulação de pautas do governo federal.
A crise entre Planalto e Senado ganhou força após a rejeição, em abril, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A votação terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, resultado insuficiente para a aprovação do nome indicado por Lula. Segundo a Agência Senado, foi a primeira rejeição de uma indicação ao STF em 132 anos.
Nos bastidores, aliados do governo atribuíram a derrota à articulação de Alcolumbre, o que aprofundou a distância entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado. Agora, a entrada de Camilo na negociação é vista como uma tentativa de reduzir a temperatura da relação institucional e destravar conversas consideradas estratégicas para o governo.
Entre os temas que dependem de avanço no Senado estão a PEC da Segurança Pública e a proposta que acaba com a escala 6x1. A PEC da Segurança já foi aprovada pela Câmara e prevê maior integração entre União, estados, municípios e Distrito Federal no combate à criminalidade. Já a PEC da escala 6x1, também aprovada pelos deputados, chegou ao Senado em maio e ainda passa por discussão sobre o rito de tramitação.
A relação também é pressionada por propostas de impacto fiscal, tratadas por integrantes do governo como “pautas-bomba”. Nos últimos dias, Alcolumbre colocou em discussão projetos com potencial de ampliar despesas públicas, o que aumentou a tensão com a equipe econômica e tornou a reaproximação com Lula mais urgente dentro do Planalto.
A eventual reunião entre Lula e Alcolumbre ainda não teve data divulgada oficialmente. Até lá, Camilo Santana deve atuar como ponte entre a bancada petista, o Palácio do Planalto e a presidência do Senado, em busca de um acordo que permita retomar votações prioritárias sem ampliar o confronto político.