PCDF apura suposto esquema interestadual de fraude tributária com R$ 441 milhões em notas frias

Operação Rota dos Metais cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em quatro estados e teve sequestro de R$ 126,3 milhões autorizado pela Justiça.

09/07/2026 às 11:11 por Redação Plox

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal apura um suposto esquema interestadual de fraude tributária que, segundo as autoridades, envolveu a emissão de R$ 441 milhões em notas fiscais frias. Na manhã desta quinta-feira (9), a corporação lançou a Operação Rota dos Metais, em atuação conjunta com a Receita do Distrito Federal, para cumprir 14 mandados de busca e apreensão no DF, em São Paulo, Minas Gerais e Tocantins



PCDF mira esquema de R$ 441 milhões em notas fiscais frias em quatro estados.

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No mesmo âmbito, a Justiça autorizou o sequestro de R$ 126,3 milhões em bens, direitos e valores vinculados aos alvos da apuração. O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária, unidade ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da PCDF.

Como o grupo teria operado

De acordo com as investigações, o esquema era sustentado por dezenas de empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, registradas em nome de laranjas. Essas companhias, conforme a apuração, não apresentavam funcionários, nem movimentação bancária compatível, e tampouco funcionavam nos endereços informados oficialmente. Ainda assim, emitiam grande volume de documentos fiscais até serem bloqueadas pela Receita do DF


Foto: Divulgação/PCDF



Os investigadores suspeitam que, quando um CNPJ deixava de operar, outro passava a ocupar seu lugar. A finalidade seria conferir aparência de legalidade a transações comerciais ligadas a metais e sucatas, com posterior repasse dos documentos a empresas beneficiárias instaladas em outros estados.

Duas frentes com padrão semelhante

A PCDF afirma ter identificado duas estruturas distintas, mas com o mesmo método de atuação. Em uma delas, 26 empresas de fachada teriam emitido R$ 389,5 milhões em notas fiscais entre julho de 2021 e junho de 2022. Segundo a corporação, 94% dessas operações estavam relacionadas ao cobre, sem registros de notas fiscais de entrada compatíveis com o volume declarado. O principal destino da documentação seria uma empresa paulista do ramo de fabricação de fios e cabos elétricos. 


PCDF afirma ter identificado duas estruturas distintas, mas com o mesmo método de atuação.

Foto: Divulgação/PCDF



Na outra frente investigada, a polícia aponta a existência de 22 empresas “noteiras”, responsáveis pela emissão de R$ 51,8 milhões em notas fiscais. Nesse caso, os documentos estariam ligados sobretudo à comercialização de sucatas de cobre, alumínio e ferro. Ainda conforme a apuração, esse material passava por uma empresa de fachada no Tocantins antes de ser redistribuído a companhias de diferentes estados.

Possíveis crimes e alcance da operação

Outro ponto levantado pelos investigadores é que, em alguns episódios, um mesmo operador teria usado certificados digitais de empresas diferentes para emitir notas fiscais em sequência e em intervalos curtos, o que, para a polícia, sugere um controle centralizado da engrenagem.


Polícia aponta a existência de 22 empresas “noteiras”, responsáveis pela emissão de R$ 51,8 milhões em notas fiscais.

Foto: Divulgação/PCDF


A operação mobilizou 37 policiais civis do Distrito Federal, com apoio das polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Os investigados poderão responder por organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Até a última atualização consultada, não havia informação sobre prisões.

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