Mudanças bruscas de comportamento em jovens podem indicar sofrimento emocional, alertam especialistas

Isolamento, alterações de humor, queda no rendimento escolar e problemas no sono estão entre os sinais; orientação é buscar avaliação profissional quando o quadro afeta a rotina.

09/07/2026 às 11:21 por Redação Plox

A mudança brusca de comportamento em crianças e adolescentes pode ser um sinal de sofrimento emocional e não deve ser tratada apenas como “coisa da idade”. Especialistas e órgãos de saúde alertam que isolamento repentino, alterações intensas de humor, problemas no sono, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades antes prazerosas estão entre os sinais que indicam a necessidade de atenção dos pais e responsáveis.

Observar mudanças de comportamento é crucial para identificar sinais de alerta na saúde mental de jovens.

Observar mudanças de comportamento é crucial para identificar sinais de alerta na saúde mental de jovens.

Foto: crédito: Pexels

Mudanças que acendem o alerta

No Brasil, estimativa do UNICEF aponta que quase um em cada seis meninas e meninos de 10 a 19 anos vive com algum transtorno mental. A Organização Pan-Americana da Saúde também destaca que parte dos adolescentes com sofrimento psíquico acaba sem diagnóstico e sem tratamento adequado, muitas vezes por falta de informação, medo de julgamento ou dificuldade de acesso aos serviços.

Um dos sinais mais comuns é o afastamento social. Quando o jovem deixa de procurar amigos, evita conversas em casa, abandona encontros familiares ou passa a ficar isolado por longos períodos, especialmente se antes era mais participativo, a mudança merece acompanhamento próximo. O alerta aumenta quando o isolamento vem acompanhado de tristeza persistente, irritação frequente ou perda de interesse pela rotina.

Sono, apetite e escola também dão pistas

Alterações fortes no humor também precisam ser observadas. Explosões de raiva desproporcionais, choro frequente, apatia, irritabilidade constante ou mudanças rápidas e inesperadas podem indicar que a criança ou o adolescente está tendo dificuldade para lidar com emoções. A OPAS/OMS aponta que transtornos emocionais na adolescência podem envolver ansiedade, depressão, frustração, raiva excessiva e sintomas físicos, como dores de cabeça, dor de estômago ou náusea.

A rotina do sono e da alimentação é outro ponto importante. Dormir muito mais do que o habitual, enfrentar insônia, perder o apetite ou passar a comer de forma compulsiva são alterações que podem acompanhar quadros de ansiedade, depressão ou outros sofrimentos emocionais. A queda repentina nas notas, a dificuldade de concentração e a falta de motivação para estudar também podem indicar que algo não vai bem.

Quando procurar ajuda

Outro sinal relevante é a perda de prazer em atividades que antes faziam parte da vida do jovem, como esportes, brincadeiras, música, jogos, leitura, convivência com amigos ou projetos pessoais. Quando esse desinteresse se torna frequente e prejudica a rotina, o ideal é buscar avaliação profissional, sem esperar que o quadro se agrave.

Ao perceber um ou mais sinais, a orientação é abrir espaço para conversa sem broncas, acusações ou julgamento. Pais e responsáveis devem acolher o que o jovem relata, observar a duração e a intensidade das mudanças e procurar apoio na rede de saúde, em psicólogos, psiquiatras, pediatras ou serviços públicos. Desde maio de 2026, a Lei nº 15.413 incluiu no Estatuto da Criança e do Adolescente o direito de crianças e adolescentes a programas de saúde mental no SUS, com prevenção e tratamento de agravos.

Em situações de crise, o Ministério da Saúde informa que a Rede de Atenção Psicossocial do SUS pode atender pessoas em sofrimento mental. Para apoio emocional imediato, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Quando houver risco imediato à vida ou à integridade da criança ou adolescente, a família deve acionar um serviço de urgência.

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