O Brasil sofreu uma perda bilionária nas exportações de café em julho de 2025 devido à precariedade da infraestrutura portuária. Um levantamento realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontou que 508.732 sacas não foram embarcadas, o que representa um prejuízo de R$ 1,084 bilhão ao país.
Foto: Pixabay Ao todo, 1.542 contêineres ficaram parados nos portos, gerando impactos negativos tanto para exportadores quanto para os produtores. Segundo o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, o valor não arrecadado afeta diretamente os cafeicultores, já que o Brasil repassa mais de 90% do valor FOB das exportações aos produtores.
A crise portuária não é recente. Em junho, cerca de 453 mil sacas de café também deixaram de ser exportadas, resultando em uma perda de R$ 3 milhões. Ainda de acordo com Heron, apenas em julho os custos adicionais com armazenagem, detentions, pré-stacking e antecipação de gates somaram R$ 4,140 milhões aos exportadores.
Desde o início do levantamento, em junho de 2024, os prejuízos acumulados já chegam a R$ 83,061 milhões, impactando fortemente as empresas associadas ao Cecafé. O cenário tende a se agravar no segundo semestre de 2025, alerta o diretor.
Na tentativa de mitigar os efeitos dessa crise, o Cecafé tem buscado soluções em parceria com outras entidades do setor. No mês passado, representantes da entidade se reuniram com o Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) para discutir a criação de indicadores logísticos e índices de monitoramento. O Conselho também atua em conjunto com a associação Logística Brasil e apoia o portal Porto Livre Brasil, do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CE Brasil), visando debater políticas públicas, como o leilão do novo terminal de contêineres no Porto de Santos (Tecon Santos 10).