Gigantes da soja iniciam saída da Moratória na Amazônia após mudança em incentivos fiscais

Pressionadas por alterações na legislação de Mato Grosso, tradings representadas pela Abiove dão início ao processo de saída da Moratória da Soja, levantando temor de avanço da cultura sobre áreas recém-desmatadas e ameaça à meta de zerar o desmatamento até 2030

10/01/2026 às 17:28 por Redação Plox

SÃO PAULO / CUIABÁ — As maiores tradings de soja que atuam no Brasil, representadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), iniciaram o processo de saída da Moratória da Soja, acordo voluntário criado em 2006 que impede a compra de soja plantada em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008. Ambientalistas e integrantes do governo federal avaliam que a decisão pode enfraquecer um dos principais freios ao avanço da soja sobre áreas recém-desmatadas e gerar pressão sobre a meta de zerar o desmatamento até 2030.

Gigantes da soja deixam “Moratória da Soja”

Gigantes da soja deixam “Moratória da Soja”

Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux


A medida foi anunciada após mudanças na legislação de Mato Grosso, principal estado produtor do país, que retirou incentivos fiscais de empresas que aderem a compromissos ambientais “além” do exigido pela lei brasileira — o que inclui a moratória. O governo estadual afirma que a norma passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026.

Por que a moratória é tão importante

A Moratória da Soja é apontada como um marco na redução do desmatamento associado à cadeia do grão. Segundo dados citados pela AP, a derrubada de floresta em municípios monitorados caiu 69% entre 2009 e 2022, enquanto a área de soja no bioma Amazônia cresceu, em grande parte, sobre áreas já abertas anteriormente (como pastagens).

O que muda na prática

Autoridades ambientais e organizações alertam que o fim (ou o enfraquecimento) do pacto pode estimular a expansão da soja sobre áreas legalmente desmatadas — e também aumentar a pressão por conversão de vegetação nativa, especulação de terras e “efeitos indiretos” (como deslocamento da pecuária para novas fronteiras).

O secretário do Ministério do Meio Ambiente responsável por controle do desmatamento, André Lima, afirmou à AP que a saída das tradings representa, na prática, o encerramento do acordo.

A Abiove, por sua vez, declarou que a moratória deixou um “legado” e que as empresas manteriam compromissos de sustentabilidade de forma individual, com apoio de um novo arcabouço regulatório.

Quem são as empresas envolvidas

A Abiove reúne algumas das principais companhias do setor, incluindo multinacionais e grandes grupos que operam compra, processamento e exportação de soja. Reportagens citam nomes como Cargill, Bunge, Cofco, ADM e outros grandes traders do mercado global.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a