Governo Pimentel contrariou laudo e autorizou obras da Vale em Brumadinho

10/02/2019 10:47

Autorização concedida à Vale em dezembro permitiu explosões e equipamentos pesados, não observando o que foi alertado pela auditoria.

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Um relatório da consultora Tüv Süd que  detectou problemas no sistema de drenagem e estabilidade na barragem da Vale em Brumadinho não foi suficiente para que o Governo de Minas Gerais negasse o pedido da companhia para poder executar obras que colocariam em risco a região.

O Governo, na gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT), analisou e, em 11 de dezembro último, a Secretaria do Meio Ambiente (Semad) de Minas Gerais concedeu o licenciamento para expansão das minas Jangada e Córrego do Feijão, onde ocorreu a tragédia.

A liberação do Governo de Minas permitiu a Vale a utilização de retroescavadeiras para remoção mecânica de rejeitos, o uso de explosivos e o tráfego de caminhões de grande porte para o transporte dos rejeitos.

Já a auditoria feita nos locais recomendava que esses expediente não fossem usados pois havia necessidade de aumento da segurança, diante da iminente possibilidade de que ocorresse a liquefação. Segundo engenheiros do setor, esse fenômeno faz com que um material rígido comece a se comportar como um líquido. 

relatorio valeOs canos de drenagem estavam entupidos pela vegetação, conforme o laudo de 2018/ Foto: reprodução/Tüv Süd

 

Vítimas

O desastre deixou deixou 157 pessoas comprovadamente mortas e outras 182 desaparecidas.

BrumadinhoFoto: Agência Brasil

Parentes dos desaparecidos, no entanto, já se mobilizam para buscarem na Justiça o direito de que essas pessoas tenham “morte presumida”, diante da impossibilidade de remoção dos corpos debaixo das montanhas de rejeitos que sobre eles caíram.
 



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