Banco Central diz que ainda há R$ 10,27 bilhões em ‘recursos esquecidos’ em bancos

Segundo o BC, valores podem ser consultados e solicitados apenas no site oficial do Sistema Valores a Receber; governo alerta para golpes por mensagens e ligações

10/02/2026 às 08:49 por Redação Plox

O Banco Central informou nesta terça-feira (10) que ainda há R$ 10,27 bilhões em “recursos esquecidos” por clientes nas instituições financeiras, considerando valores contabilizados até dezembro do ano passado.


Dinheiro em espécie

Dinheiro em espécie

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Do montante total, R$ 7,97 bilhões pertencem a 49,59 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 2,29 bilhões estão em nome de 5,02 milhões de empresas. Até agora, o Banco Central já devolveu R$ 13,35 bilhões em valores que estavam parados em bancos, consórcios e outras instituições.

O sistema do BC permite verificar se pessoas físicas — inclusive falecidas — e empresas deixaram dinheiro a receber em instituições financeiras. Embora o prazo oficial para buscar esses recursos tivesse, em tese, se encerrado em 16 de outubro de 2024, o Ministério da Fazenda informou que não há limite de tempo para o resgate diretamente nas instituições.

Como consultar se há valores esquecidos

A consulta e o pedido de devolução de valores para pessoas físicas e jurídicas, incluindo titulares falecidos, só podem ser feitos pelo site oficial: https://valoresareceber.bcb.gov.br.

Para receber o dinheiro pelo sistema do Banco Central, é obrigatório informar uma chave PIX. Caso o cliente não tenha chave cadastrada, precisa entrar em contato com a instituição financeira para combinar outra forma de recebimento ou criar uma chave e, depois, voltar ao sistema para concluir a solicitação.

No caso de valores em nome de pessoas falecidas, apenas herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal pode consultar os créditos. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade antes de prosseguir.

Após a consulta, o passo seguinte é contatar as instituições listadas no sistema de valores a receber para verificar os procedimentos de pagamento.

Pedido automático de resgate

Desde maio do ano passado, o Banco Central permite habilitar uma solicitação automática de resgate dos valores a receber. A adesão é opcional e voltada a quem deseja simplificar o processo de devolução.

Com o recurso, não é mais necessário entrar periodicamente no sistema para registrar cada pedido. As demais funcionalidades do Sistema de Valores a Receber (SVR) permanecem inalteradas.

O propósito é facilitar ainda mais a vida do cidadão, que não precisará consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente a solicitação de cada valor que existe em seu nome

Banco Central

Regras para usar a solicitação automática

Para habilitar o pedido automático, é preciso acessar o SVR com conta gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada.

A funcionalidade é exclusiva para pessoas físicas e só está disponível para quem possui chave PIX do tipo CPF. Quem ainda não tem esse tipo de chave deve cadastrá-la junto à instituição financeira antes de aderir ao serviço.

O cidadão não recebe aviso do Banco Central quando um valor é devolvido: o crédito é feito diretamente pela instituição financeira na conta indicada.

Instituições que não aderiram ao termo de devolução via PIX continuarão exigindo a solicitação manual dos recursos. A mesma regra vale para valores de contas conjuntas.

O governo não entra em contato por mensagem, ligação ou aplicativos para pedir dados pessoais ou informações adicionais para devolução dos recursos. Qualquer abordagem desse tipo deve ser tratada como potencial golpe.

Refino das regras de segurança

Em fevereiro, o Banco Central reforçou a segurança do Sistema Valores a Receber para reduzir riscos de fraude.

O acesso continua sendo feito com conta gov.br de nível prata ou ouro, mas o sistema passou a exigir duas etapas de verificação.

Quem ainda não tem o aplicativo gov.br instalado no celular precisa baixá-lo, preencher as informações solicitadas e realizar a validação facial para liberar o uso em duas etapas.

O acesso ao sistema de valores é feito com CPF e senha. Em seguida, o usuário deve informar um código de acesso gerado pelo próprio aplicativo gov.br, concluindo assim a autenticação antes de visualizar ou solicitar os recursos disponíveis.

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