Estudo associa café e chá com cafeína a menor risco de demência

Pesquisa com 132 mil adultos acompanhados por quase quatro décadas aponta relação modesta com preservação da capacidade cerebral, mas não comprova causa e efeito

10/02/2026 às 10:43 por Redação Plox

Beber algumas xícaras de café ou chá com cafeína todos os dias pode ajudar, ainda que de forma modesta, a preservar a capacidade cerebral e reduzir o risco de demência, apontam pesquisadores.


Café

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Foto: Freepik


Em um grande estudo de longo prazo, pessoas com a maior ingestão diária de café com cafeína apresentaram um risco 18% menor de desenvolver demência em comparação com aquelas que consumiam menos a bebida. A análise se baseou em questionários respondidos por 132 mil adultos norte-americanos ao longo de cerca de quatro décadas.

Publicado na revista JAMA, o trabalho também identificou que os participantes que mais consumiam café tiveram uma taxa quase 2 pontos percentuais menor de problemas de memória ou raciocínio autopercebidos em relação ao grupo de menor consumo.

Café, chá e a diferença da cafeína

Os pesquisadores observaram resultados semelhantes entre quem consumia chás com cafeína. O mesmo, porém, não foi verificado com versões descafeinadas de café e chá, o que reforça o papel potencial da cafeína e de outros compostos bioativos presentes nessas bebidas.

Apesar dos achados, os autores ressaltam que o estudo não comprova que a cafeína, por si só, protege o cérebro. A associação identificada é considerada modesta, e há outros caminhos já bem estabelecidos para preservar a função cognitiva ao longo do envelhecimento.

Entre os fatores de estilo de vida ligados a menores riscos de demência, pesquisas anteriores destacam a prática regular de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada e sono adequado.

Consumo moderado aparece com mais benefício

De acordo com o estudo, os efeitos positivos foram mais claros em participantes que consumiam de duas a três xícaras de café com cafeína por dia ou de uma a duas xícaras de chá com cafeína diariamente.

Os pesquisadores também relataram que quem bebia café com cafeína teve melhor desempenho em alguns testes objetivos de função cognitiva. O trabalho contou com financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde.

Possíveis mecanismos e próximos passos

Segundo os autores, mais pesquisas são necessárias para confirmar os achados e esclarecer os mecanismos envolvidos. Eles destacam que ingredientes bioativos do café e do chá, como a cafeína e os polifenóis, têm surgido como potenciais responsáveis por reduzir inflamação, proteger células nervosas e frear o declínio cognitivo.

Nosso estudo sugere que o consumo de café ou chá com cafeína pode ser uma peça desse quebra-cabeça.

Dr. Daniel Wang

Os pesquisadores também compararam pessoas com diferentes predisposições genéticas para desenvolver demência e relataram que os resultados se mantiveram, sugerindo que o possível benefício do café ou da cafeína se estenderia tanto a indivíduos com maior quanto com menor risco genético para a doença.

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