Câmara aprova urgência para projeto que prevê quebra de patente de Mounjaro e Zepbound

Com 337 votos a favor e 19 contra, proposta poderá ser votada diretamente no plenário, sem passar por comissões

10/02/2026 às 09:47 por Redação Plox

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (9) o regime de urgência para o projeto de lei que prevê a quebra de patente dos medicamentos Mounjaro e Zepbound. Com a decisão, a proposta poderá ser votada diretamente em plenário, sem passar por comissões temáticas, o que acelera sua análise.

Deputados no Plenário da Câmara

Deputados no Plenário da Câmara

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados


A urgência foi aprovada por 337 votos favoráveis e 19 contrários. O texto trata da possibilidade de o governo autorizar que outros laboratórios produzam os remédios, mesmo sem o consentimento do atual detentor da patente.

Quebra de patente e impacto no SUS

A quebra de patente permite que o governo libere a fabricação de um medicamento por diferentes laboratórios, mesmo que a proteção intelectual ainda esteja em vigor. A medida tem como objetivo ampliar a oferta dos remédios e facilitar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Na prática, esse tipo de projeto costuma ser defendido como um caminho para reduzir custos e aumentar o acesso a tratamentos hoje restritos a uma parcela mais rica da população.

Autor da urgência fala em economia bilionária

O requerimento de urgência foi apresentado pelo deputado federal Mário Heringer (PDT-MG), médico, que estimou uma possível economia de cerca de R$ 70 bilhões aos cofres públicos com a adoção do medicamento pelo sistema público de saúde.

Segundo o parlamentar, há várias doenças que podem ser tratadas com esse tipo de medicamento e, em muitos casos, o custo de tratar essas enfermidades tende a superar o valor pago pelo remédio. Para ele, a quebra de patente reduziria a concentração do acesso entre os mais favorecidos, cenário que, argumenta, ocorre atualmente.

Partido Novo vê risco à segurança jurídica

A bancada do Partido Novo orientou voto contrário ao regime de urgência. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou que a proposta pode gerar insegurança jurídica e desestimular investimentos em inovação no país.

De acordo com a parlamentar, a proteção de patentes tem papel central para garantir que empresas invistam em pesquisa e desenvolvimento. Ela defendeu que o tema seja discutido com mais profundidade, com uma série de debates e audiências, antes de qualquer deliberação final.

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