Dólar cai a R$ 5,187 e atinge menor nível em quase dois anos

Moeda recuou 0,61% na segunda (9), com apetite global por risco, menor demanda por dólares e expectativas de cortes graduais na Selic; Ibovespa fechou em recorde

10/02/2026 às 07:24 por Redação Plox

O dólar fechou esta segunda-feira (9) em queda de 0,61%, cotado a R$ 5,187, e atingiu o menor valor em quase dois anos. A última vez em que a moeda americana esteve nesse patamar foi em 28 de maio de 2024, quando encerrou o dia a R$ 5,160. Em 2026, a desvalorização acumulada do dólar frente ao real chega a 4,36%.

Em 2026, o dólar caiu 4,36% frente ao real

Em 2026, o dólar caiu 4,36% frente ao real

Foto: pexels


A queda da divisa ocorre em um ambiente global de maior apetite ao risco, em meio a movimentos de reprecificação de ativos e de realocação de portfólios. O reposicionamento dos investidores tem favorecido moedas de mercados emergentes, como o real.

Cenário externo pressiona dólar após movimento da China

O pregão foi influenciado por um alerta de autoridades chinesas a instituições financeiras do país para que reduzam a exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). Segundo informações da Bloomberg, reguladores na China orientaram bancos a limitar novas compras desses papéis e recomendaram que instituições com elevada exposição cortem parte de suas posições, em razão de preocupações com concentração de risco e volatilidade.

O Banco Popular da China e a Administração Nacional de Regulação Financeira não comentaram o assunto. No mercado, a leitura é de que a menor demanda chinesa por Treasuries reduz a necessidade de dólares, contribuindo para a desvalorização da moeda americana.

No câmbio internacional, o movimento também foi de enfraquecimento do dólar. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda dos EUA frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,80%. No dia 29 de janeiro, o dólar já havia fechado a R$ 5,194, então a mínima do ano.

Real se beneficia de fluxo para emergentes

Para analistas, o real aproveita um momento considerado favorável em 2026, apoiado em melhores perspectivas para mercados emergentes, na expectativa de cortes na taxa Selic mantendo diferencial de juros atrativo em relação aos Estados Unidos e em um movimento global de diversificação de investimentos para fora do mercado americano.

Esse ambiente fortalece operações de carry trade, em que investidores tomam recursos em moedas de países com juros mais baixos, como os EUA, e aplicam em ativos de maior retorno, a exemplo da renda fixa brasileira. Quanto maior a atratividade desse tipo de estratégia, maior tende a ser a entrada de dólares no país.

Bolsa bate recorde e fecha acima dos 186 mil pontos

Enquanto o dólar recuou, a Bolsa brasileira teve forte alta. O Ibovespa avançou 1,79%, encerrando o dia aos 186.241 pontos, impulsionado principalmente pelas ações da Vale e dos grandes bancos. É a primeira vez que o principal índice da B3 fecha acima dos 186 mil pontos.

No exterior, o humor positivo também foi alimentado pelo resultado das eleições no Japão. O PLD (Partido Liberal Democrático), legenda da primeira-ministra Sanae Takaichi, conquistou 316 assentos na Câmara Baixa, bem acima dos 233 necessários para assegurar maioria simples, segundo dados da emissora pública NHK.

Com a vitória, o PLD reforça seu domínio político — o partido governa o Japão quase sem interrupções desde 1955. As ações japonesas reagiram com forte alta, e o índice Nikkei avançou 3,9%, a 56.363 pontos, renovando recordes.

Para especialistas, o resultado eleitoral japonês, que abre espaço para uma agenda de expansão fiscal e possíveis cortes de impostos, contribuiu para fortalecer o apetite global por risco e ajudou a impulsionar também a Bolsa brasileira.

Fluxo estrangeiro para a B3 ganha força

O movimento de rotação global em direção a mercados emergentes tem favorecido diretamente o mercado acionário local. Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o volume aportado por investidores estrangeiros na B3 em janeiro de 2026 superou a soma total registrada ao longo de todo o ano de 2025.

Esse reforço de fluxo externo atua como combustível adicional para a alta dos ativos brasileiros, em um contexto de expectativas de política monetária menos restritiva em grandes economias.

BC indica cortes graduais na Selic

No front doméstico, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou em evento da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), em São Paulo, que a condução da política monetária seguirá ritmo gradual, com a intensidade dos cortes na taxa Selic condicionada à evolução dos indicadores econômicos.

A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros)... Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajusteGabriel Galípolo

A declaração está alinhada à ata mais recente do Copom, divulgada na semana passada. O documento indicou a possibilidade de início de cortes na Selic em março, após sinais de melhora no cenário inflacionário, mas ressaltou a necessidade de manter os juros em patamar elevado até que a convergência da inflação para o centro da meta esteja mais consolidada.

Inflação, juros e expectativas do mercado

A meta central de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para analistas, a ata reforça a leitura de que o ciclo de afrouxamento monetário deve começar em breve, mas sem antecipar um ritmo agressivo de redução de juros.

No mercado financeiro, a avaliação predominante é de que o BC tende a adotar um ciclo suave de cortes, evitando movimentos sucessivos de redução de 0,5 ponto percentual, o que manteria o diferencial de juros com economias avançadas em nível atrativo para investidores estrangeiros.

Balanços corporativos entram no radar

A temporada de resultados também influenciou o humor dos investidores. Após a divulgação dos números de Santander, Itaú e Bradesco, o BTG Pactual apresentou seu balanço do quarto trimestre de 2025, registrando alta anual de 40,3% no lucro, para R$ 4,6 bilhões, levemente acima da expectativa de R$ 4,56 bilhões apurada pela LSEG.

Para a mesma sessão, o mercado aguardava ainda os balanços de BB Seguridade, Motiva e Banco Pan, mantendo o noticiário corporativo como um componente adicional na formação dos preços de ações e na percepção de risco local.

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