Ex-companheiro de Silvana é preso por suspeita no desaparecimento da família Aguiar

Polícia Civil investiga possível homicídio ou cárcere privado; perícia encontrou vestígios de sangue e Corregedoria da Brigada Militar passou a atuar no caso

10/02/2026 às 09:28 por Redação Plox

Um homem suspeito de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi preso temporariamente pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (10). A corporação não divulgou a identidade do investigado, mas a reportagem do portal de notícias G1 apurou que se trata do ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, soldado da Brigada Militar.


Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão desaparecidos desde janeiro.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Anderson Spier, a prisão tem caráter temporário e foi decretada para aprofundar pontos ainda não esclarecidos da investigação.

Obtivemos alguns elementos na investigação que nos permitiram nesse primeiro momento representar pela prisão temporária de um suspeito. É um primeiro momento, em que todos estão ansiosos pela resolução desse crime Delegado Anderson Spier

Investigação trabalha com hipótese de homicídio

A principal linha de apuração da Polícia Civil é de homicídio. Outro delegado que atua no caso, Ernesto Prestes, afirmou que, por enquanto, não serão revelados detalhes do que já foi levantado, para não atrapalhar os próximos passos da investigação.


Suspeito de envolvimento no desaparecimento de família é preso

Suspeito de envolvimento no desaparecimento de família é preso

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Na segunda-feira (9), o caso foi tema de uma reunião com autoridades ligadas à segurança. Participaram do encontro agentes e delegados da Polícia Civil, além da subchefe da corporação no Rio Grande do Sul, Patrícia Tolotti. Na ocasião, a polícia confirmou que o cartucho encontrado na casa do casal de idosos é de festim.

Segundo o delegado Spier, a reunião serviu para que as equipes pudessem se aprofundar ainda mais na análise do caso e cruzar informações já coletadas.

Atuação da Corregedoria da Brigada Militar

Conforme apurado com a Brigada Militar, a Corregedoria da corporação passou a atuar no caso, o que reforça a suspeita de possível envolvimento de um policial militar. As autoridades, porém, não divulgaram a identidade do agente nem o tipo de participação sob investigação.

A corregedoria tem a atribuição de fiscalizar a conduta de policiais militares e apurar eventuais infrações disciplinares e criminais. Essa apuração ocorre em paralelo ao trabalho da Polícia Civil, responsável pela investigação do desaparecimento da família.

Na manhã de segunda-feira (9), o delegado informou que mais pessoas devem ser ouvidas ao longo da semana e que são aguardados laudos de perícias realizadas em casas, veículos e imagens de câmeras de segurança.

Vestígios de sangue e celular em perícia

A investigação já identificou vestígios de sangue na casa de Silvana, que passaram por análise pericial. Um celular encontrado nas imediações da residência dos idosos também está sob perícia.

A Polícia Civil não divulga o conteúdo dos laudos já concluídos. Até o momento, não há confirmação sobre o que aconteceu com os três desaparecidos, mas, para os investigadores, a principal suspeita é de que um crime tenha sido cometido.

Desaparecimento e publicações em rede social

Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. No mesmo dia, uma publicação em seu perfil em rede social informava que ela teria sofrido um acidente em Gramado, mas estaria bem. A polícia, porém, apurou que o acidente nunca ocorreu e avalia que o relato teria sido feito para despistar o desaparecimento.

Desde então, o celular de Silvana permanece desligado, e ela não fez novos contatos. Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais dela saíram para procurá-la no domingo (25).

Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir até a delegacia distrital para registrar o desaparecimento da filha, mas a unidade estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos.

A polícia descartou a hipótese de sequestro, já que não houve pedido de resgate. As principais suspeitas são de homicídio ou cárcere privado.

Movimentação de veículos na noite do sumiço

O carro de Silvana foi localizado na garagem de sua casa, com a chave dentro da residência, o que reforça a avaliação de que ela não viajou. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação considerada atípica na noite de 24 de janeiro.

Um carro vermelho entrou na casa de Silvana às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo da própria Silvana entrou na garagem. Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou ao imóvel, permaneceu por 12 minutos e deixou o local.

A polícia investiga se era Silvana quem conduzia o próprio carro nas imagens e tenta identificar os outros veículos, que podem ser o mesmo automóvel observado em momentos distintos.

Relações familiares e rotina da família

Silvana é filha única e mora perto dos pais. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e tem um filho de 9 anos, que estava com o pai no fim de semana do desaparecimento.

A filha trabalhava com os pais em um pequeno mercado mantido pela família, que funciona anexo à residência. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos por parentes e vizinhos como pessoas queridas e tranquilas, com bom relacionamento com a filha.


Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar

Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar

Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

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