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As disputas em torno da votação dos chamados supersalários no Congresso levaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a adotar um clima de “paz armada” na relação com o governo federal.
As condições eleitorais na Paraíba aproximaram Motta do presidente Lula. O deputado tenta emplacar o pai, Nabor Wanderley, ao Senado e buscará mais um mandato de deputado federal. Para isso, espera contar com o apoio do petista, que venceu Jair Bolsonaro no estado por ampla vantagem em 2022.
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A sintonia recente, porém, esbarrou em percalços. A reunião de líderes convocada por Motta na segunda-feira, 9, ocorreu em ambiente descrito como de tensão controlada entre a Câmara e o Planalto. O presidente da Casa reclamou de não ter sido tratado com justiça pelo governo e reagiu com dureza ao afirmar que se sentiu traído no episódio do aumento de salários e dos chamados penduricalhos dos rendimentos dos servidores.
A proposta foi aprovada na primeira semana de trabalhos da Câmara e do Senado, em votação rápida e com baixa transparência. Apenas votos de partidos e parlamentares contrários à medida ficaram registrados, o que ampliou o desgaste político.
Na reunião, Motta demonstrou irritação e avisou que não aceitará ser responsabilizado sozinho pelos efeitos negativos da decisão. Ele insistiu que o Planalto não foi correto ao negar a existência de um acordo prévio sobre a proposta, que envolveria inclusive líderes do governo.
As críticas foram direcionadas a ministros e ao setor de comunicação do Planalto, ainda que sem menções nominais. Motta também se queixou de campanhas em perfis governistas nas redes sociais que colocam a Câmara como inimiga da sociedade, e avisou que não pretende mais assumir sozinho o custo político por medidas que, na avaliação dele, não cabem exclusivamente ao Legislativo.
Durante a conversa, o presidente da Câmara ainda ressaltou que o Legislativo é, entre os poderes da República, o que tem menor número de cargos sujeitos a extrapolar o teto constitucional. Ele afirmou que o acordo para votação dos aumentos fazia parte de um pacote mais amplo, que incluía projetos de interesse direto do governo federal.
Como parte desse entendimento político, Motta acelerou a tramitação da proposta que determina o fim da jornada de trabalho 6×1, classificada como prioritária pelo Planalto. O gesto reforçou a percepção, na Câmara, de que havia um compromisso recíproco entre governo e base aliada para a condução de temas sensíveis.
Com a forte repercussão negativa da aprovação dos supersalários, Lula passou a ser aconselhado por lideranças petistas a vetar a proposta. Em meio às acusações de traição feitas por Motta, o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), buscou reduzir a temperatura lembrando que defendeu publicamente a Câmara e o próprio acordo.
Em publicação nas redes sociais, em 4 de fevereiro, Guimarães afirmou que o aumento não era uma iniciativa do governo, mas reconheceu que havia concordância do Planalto com o tema. A mensagem foi usada como argumento para mostrar que o acordo não teria sido unilateral.
Mesmo diante do gesto de Guimarães, Motta manteve o clima de desconfiança em relação ao governo, que passou a alcançar outras pautas em tramitação na Câmara.
Na reunião de líderes, o impasse ficou evidente quando o próprio Guimarães pediu a retirada de pauta do projeto de autoria de Motta que cria um regime especial de incentivos para serviços de datacenter, o Redata. O presidente da Câmara recusou o pedido, alegando que uma manobra desse tipo poderia ser atribuída a ele politicamente, e manteve a proposta para votação nesta terça-feira, 10.
Ao defender o adiamento, o líder governista argumentou que ainda há divergências internas no governo sobre o alcance e o conteúdo do projeto. A negativa de Motta expôs que, apesar de alinhamentos eleitorais na Paraíba, a relação com o Planalto está marcada por cooperação sob tensão permanente.