Menina de 12 anos tem fotos íntimas expostas após contato com adolescente no Roblox

Conversa migrou para outras plataformas e virou ameaça e chantagem; polícia localizou suspeito de 16 anos em Ribeirão Preto e investiga possível nova vítima

10/02/2026 às 07:47 por Redação Plox

Uma menina de 12 anos, moradora da região metropolitana de Porto Alegre, teve fotos íntimas expostas após manter contato com um adolescente de 16 anos dentro do Roblox, plataforma de jogos online popular entre crianças e adolescentes. O caso é investigado pela Polícia Civil e se soma a outros episódios de aliciamento e violência digital envolvendo menores revelados pelo Fantástico.


Roblox

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Foto: Reprodução

A vítima conheceu o agressor em um jogo do Roblox. A interação começou pelo chat do próprio jogo e, depois, migrou para outras plataformas. A partir desse contato, o adolescente obteve imagens íntimas da criança e passou a ameaçá-la. As fotos acabaram sendo divulgadas para familiares, colegas de escola e moradores da cidade, ampliando o dano emocional e social à menina.

Houve ameaças que se concretizaram. Para mim foi horrível, horrível. Uma crise de choro madrasta da vítima

O pai da menina, que não será identificado para preservar a criança, relatou que começou a desconfiar do comportamento da filha. Segundo ele, a menina passou a agir de forma mais reservada e a tratar o celular como um objeto de uso totalmente restrito, o que acendeu o alerta na família.

De acordo com o relato, a jovem mencionava de forma vaga a existência de um suposto “namorico” online, o que inicialmente tentou minimizar as preocupações. O quadro mudou de forma drástica quando, em um dia específico, o pai encontrou a filha trancada no banheiro, se mutilando, marcando um ponto de ruptura na percepção da gravidade da situação.

Mesmo após a identificação do agressor, a família segue convivendo com o medo de uma nova exposição das imagens na internet e com a incerteza sobre o alcance que o material já teve em diferentes redes e dispositivos.

Adolescente suspeito é identificado em outro estado

O agressor, um adolescente de 16 anos, foi localizado em Ribeirão Preto (SP), a cerca de 1.200 km da vítima. A apreensão do celular dele revelou conteúdos de violência extrema, apologia ao nazismo e participação em grupos de pedofilia que utilizavam o Roblox como porta de entrada para recrutar meninas entre 10 e 12 anos.

Durante a análise do material coletado no aparelho, a polícia identificou outra possível vítima, de 10 anos, residente em outro estado, o que indica um padrão de atuação que vai além de um único caso isolado.

O adolescente agressor estava, portanto, a cerca de 1.200 quilômetros de distância da menina, reforçando como a internet permite que crimes desse tipo sejam cometidos à distância, sem qualquer contato físico direto entre vítima e autor.

Relatos reunidos em diferentes investigações apontam que situações semelhantes têm se multiplicado no país. Em São Paulo, autoridades relatam que aproximadamente 90% das vítimas em crimes contra menores na internet teriam sido inicialmente abordadas dentro do Roblox. Em muitos episódios, os criminosos começam a interação em jogos considerados “inocentes” e, em seguida, migram o contato para aplicativos externos, onde ocorrem chantagens, ameaças e troca de imagens íntimas.

Roblox anuncia medidas de segurança

Em resposta às denúncias e ao aumento das preocupações de famílias e autoridades, o Roblox afirma ter adotado mudanças recentes para reforçar a segurança na plataforma. Entre as medidas, a empresa cita o uso de reconhecimento facial para limitar o uso do chat por idade, sistemas automatizados e humanos de revisão de conteúdo e ferramentas de denúncia disponíveis para usuários.

A plataforma também diz que não permite o envio de fotos ou vídeos por meio do chat interno e que monitora interações não criptografadas com o objetivo de identificar comportamentos abusivos, assédio ou outros tipos de violação às regras de uso.

Orientações a responsáveis e nova legislação

Especialistas recomendam que pais e responsáveis acompanhem de perto o uso de dispositivos eletrônicos por crianças, com presença física e atenção ao conteúdo acessado, estabelecendo limites de tempo de tela e participando ativamente dos jogos. A orientação é que adultos procurem saber com quem os menores interagem e em quais plataformas esse contato ocorre.

Em situações de ameaça ou exposição, a recomendação é registrar evidências, como capturas de tela, e procurar a polícia para formalizar a denúncia e permitir a abertura de investigação.

O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que entra em vigor em 1º de março, exigirá medidas mais rígidas de proteção por parte das plataformas que operam no Brasil. A expectativa é que esse novo marco regulatório pressione empresas de tecnologia a aprimorar sistemas de monitoramento, controle de idade e respostas rápidas a casos de abuso envolvendo menores.

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