Menino de 12 anos é aprovado em matemática na Uerj após fazer vestibular como treineiro

Aluno do 8º ano de São Pedro da Aldeia, Bernardo Vinício Manfredini já soma cerca de 80 medalhas em olimpíadas do conhecimento e diz que se surpreendeu com a nota acima do esperado

10/02/2026 às 17:57 por Redação Plox

Aos 12 anos e cursando o 8º ano do ensino fundamental, Bernardo Vinício Manfredini, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, alcançou um feito raro: foi aprovado no curso de matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).


Bernardo Manfredini, de 12 anos, foi aprovado no curso de matemática, na UERJ

Bernardo Manfredini, de 12 anos, foi aprovado no curso de matemática, na UERJ

Foto: Letícia Lôpo/Divulgação


O adolescente se inscreveu no vestibular como treineiro, movido pela curiosidade de entender o funcionamento do processo seletivo e testar seus conhecimentos. Com apoio da mãe, Luzia Manfredini, ele encarou a experiência mais como aprendizado do que como disputa por uma vaga — e o resultado de aprovação veio como surpresa.

As licenciaturas, no geral, são os cursos menos concorridos das universidades. Mas por informações que encontramos na internet, esperávamos um corte bem mais baixo. O corte desse ano veio com uma média de 20 pontos mais alto do que esperávamos. Consegui passar com uns pontinhos sobrando — Bernardo Vinício Manfredini

Olhares curiosos no dia da prova

Nos dias de prova, Bernardo lembra que chamou atenção pela pouca idade. Ele conta que algumas pessoas o observaram curiosas, mas logo voltaram a se concentrar nos próprios exames. Por ser alto para a idade, diz que acabou passando quase despercebido.

Segundo o estudante, uma pessoa chegou a perguntar se ele estava inscrito como treineiro e quis saber como era participar do vestibular, mas a conversa foi breve. A presença de Bernardo, contudo, já indicava um interesse bem acima da média pela vida acadêmica.

Mais de 100 provas e cerca de 80 medalhas

A escolha pela matemática foi natural. É a disciplina favorita de Bernardo e também a área em que ele se aprofunda em conteúdos avançados para participar de olimpíadas do conhecimento. Ele já encarou mais de 100 provas de alto nível e acumula cerca de 80 medalhas.

Bernardo explica que nem sempre volta das competições com premiação, mas a maioria das medalhas conquistadas é de matemática. Outras vieram de áreas como ciências, química júnior, nanotecnologia, astronomia e física. O estudante também tem medalhas internacionais em olimpíadas americanas e asiáticas e destaca, entre as mais importantes, as da OBM, OMERJ e OBMEP.

O histórico em olimpíadas do conhecimento ajuda a explicar o desempenho acima da média no vestibular, mesmo em idade tão precoce.

Rotina de estudos e vida de adolescente

A aprovação na Uerj rendeu fama e elogios ao jovem de São Pedro da Aldeia. Bernardo afirma que achou interessante virar notícia por passar no vestibular tão cedo e conta que ficou muito feliz com a repercussão.

Ele faz questão, porém, de ressaltar que, apesar da dedicação aos estudos, leva uma vida típica de adolescente. Gosta de temas considerados pouco comuns para a idade, mas também se diverte como os amigos: joga videogame, vê TV, anda de bicicleta, vai à praia, ao shopping, sai para lanchar e joga tênis de mesa. Segundo o próprio Bernardo, há quem acredite que ele só estuda, mas ele garante que tem bastante tempo livre “pra bagunçar”.

Apoio da família e experiência no vestibular

Mãe de Bernardo e professora, Luzia Manfredini acompanhou de perto as duas etapas do vestibular da Uerj: os exames de qualificação, com 60 questões de múltipla escolha, e o exame discursivo, com redação e provas específicas — no caso do filho, de física e matemática.

Ela conta que não teve receio de uma eventual frustração com o resultado. Antes das provas, explicou ao menino que ele poderia até entregar o exame em branco, se quisesse, e que o mais importante era a experiência. O tempo que Bernardo permaneceu em sala, porém — mais de duas horas — mostrou que ele havia se proposto a fazer as questões com seriedade.

Na segunda etapa, Luzia percebeu o entusiasmo do filho ao sair da prova, especialmente por conseguir desenvolver o texto da redação, que era o ponto que mais o preocupava.

Altas habilidades e desafios na rotina

A descoberta de que Bernardo tinha altas habilidades veio cedo: aos 4 anos, a família recebeu a avaliação de que ele aprendia alguns conteúdos com mais rapidez e tinha uma forma diferente de enxergar o mundo, assim como o irmão.

Luzia descreve esse momento como um divisor de águas, que ajudou a entender melhor o comportamento e o ritmo de aprendizado dos filhos. Ao mesmo tempo, ela admite ter preocupação com a possibilidade de uma sobrecarga na rotina de estudos de Bernardo.

Com curiosidade intensa não apenas por matemática, ele costuma buscar conteúdos variados e quer participar de muitas atividades. A mãe tenta equilibrar esse impulso, impondo alguns limites e procurando encaixar momentos de atividade física e lazer que não estejam ligados apenas a eletrônicos.

Planos para engenharia e visão sobre o futuro

Pensando em um futuro “não tão distante”, Bernardo planeja cursar engenharia da computação. Ele sonha em ser aprovado em instituições de alta concorrência, como ITA ou IME, e se formar na área. Ao falar para outros jovens, defende a importância de seguir os próprios sonhos e de não abandonar os estudos, reforçando que a educação abre caminhos e ajuda a superar dificuldades que, à primeira vista, parecem grandes demais.

Para o estudante, desistir não é uma opção: é preciso buscar novas formas de entender e aprender quando um conteúdo parece difícil.

Nem mesmo o avanço da tecnologia e da inteligência artificial abala o otimismo de Bernardo em relação ao futuro da profissão que escolheu. Ele avalia que a IA pode tanto ajudar quanto atrapalhar, dependendo de como evoluir e de como for utilizada. Na visão dele, a ferramenta tende a facilitar cálculos e programas complexos, embora ainda cometa muitos erros, e poderá impulsionar ou dificultar carreiras em diferentes áreas.

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