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Fora das sessões da CPMI do INSS, um grupo de parlamentares articula o envio de uma missão oficial a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para tentar destravar pontos considerados decisivos nas investigações sobre possíveis irregularidades financeiras envolvendo o caso INSS e a instituição financeira Master.
Dubai virou o novo paraíso de golpistas e corruptos brasileiros.
Foto: Reprodução
O principal alvo da ofensiva é a BTA Finance Limited – Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., sediada no Emirates Financial Tower, em Dubai. A empresa é apontada como possível depositária de recursos desviados ligados ao esquema investigado. Fundado em agosto de 2024, o banco de negócios tem apenas um ano e meio de operação e é presidido pelo português Humberto Coelho, já citado em controvérsias financeiras internacionais.
Coelho aparece em documentos anexados a processos judiciais nos Estados Unidos e, segundo autoridades daquele país, realizava pagamentos em Dubai relacionados ao esquema de corrupção do governo Hugo Chávez, na Venezuela, desde 2010. Ele também é alvo de investigações por supostamente intermediar pagamentos a funcionários venezuelanos para favorecer operações de instituições financeiras junto à petrolífera PDVSA.
Na avaliação de parlamentares, há indícios de que um modelo semelhante ao atribuído a operações na Venezuela teria sido reproduzido no Brasil, envolvendo funcionários públicos, organizações criminosas e a própria Master. A suspeita é de que valores bilionários tenham sido enviados para Dubai por meio da BTA Finance, possivelmente superando a marca de US$ 2 bilhões.
As pressões agora se concentram sobre o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, a quem colegas atribuem autonomia para autorizar a viagem de três parlamentares ao Oriente Médio. A intenção é formalizar, junto ao governo dos Emirados Árabes, pedidos de acesso a documentos financeiros que possam apontar o caminho de bilhões captados por títulos CDB emitidos pela Master, além de recursos supostamente descontados de aposentados e investidores brasileiros.
Os deslocamentos de pessoas ligadas ao caso contribuíram para aumentar as suspeitas. A Polícia Federal prendeu recentemente um familiar de Daniel Vorcaro quando ele tentava embarcar para Dubai — o mesmo destino que Vorcaro tinha ao ser detido em novembro, no Aeroporto de Guarulhos. Para fontes da CPMI, a repetição desse roteiro internacional é vista como sinal de alerta.
Relatos colhidos pela comissão indicam que operações financeiras consideradas sensíveis nos Emirados exigem a presença física do titular, já que a legislação local impede procuradores de movimentar grandes somas. Como bens e contas vinculados ao grupo Master seguem bloqueados no Brasil, a apuração trabalha com a hipótese de que pessoas próximas à instituição estejam viajando ao país árabe para movimentar recursos que não podem ser acessados internamente.
Parlamentares também relatam que cidadãos estrangeiros conseguem abrir contas e operar valores em Dubai com relativa autonomia, a partir de um passaporte válido e de uma entrevista. Esse cenário é visto como um possível facilitador para eventuais estratégias de blindagem patrimonial e ocultação de capitais no exterior.
Em meio a resistências e negociações, a decisão sobre o envio da comitiva ainda não foi tomada. Nos bastidores, porém, ganha força a avaliação de que a CPMI dependerá de cooperação internacional para avançar na identificação do destino final dos recursos sob suspeita.