Anvisa alerta para risco raro de lesão hepática com uso oral de cúrcuma em cápsulas e suplementos
Agência cita casos de hepatite e outras formas de hepatotoxicidade ligados a extratos concentrados de Curcuma longa e reforça cautela com automedicação; uso culinário do tempero não entra no alerta
10/03/2026 às 12:48por Redação Plox
10/03/2026 às 12:48
— por Redação Plox
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A Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância e nutrivigilância sobre um risco raro de lesão no fígado associado ao uso oral de medicamentos e suplementos que contenham extratos de Curcuma longa (cúrcuma, também conhecida como açafrão-da-terra). De acordo com a agência, os eventos são incomuns, mas podem ser graves. O comunicado não se aplica ao uso culinário do tempero em alimentos.
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Foto: Freepik
Foco em extratos concentrados de cúrcuma
O alerta da Anvisa está direcionado principalmente a produtos com extratos concentrados de cúrcuma ou curcumina para uso oral, como suplementos em cápsulas e alguns medicamentos. A agência relata que a decisão foi motivada por avaliação de dados internacionais e por notificações de eventos adversos, incluindo registros de hepatite e outros quadros de hepatotoxicidade em sistemas de vigilância de outros países.
No documento técnico, a Anvisa destaca que, embora raros, alguns relatos internacionais descrevem evolução para insuficiência hepática e até óbito, o que elevou o nível de atenção em torno do uso desses extratos.
Uso culinário não é alvo do alerta
A Anvisa reforça que o comunicado não vale para o uso da cúrcuma como ingrediente culinário, na forma de pó empregado como alimento ou tempero. O foco está no consumo de extratos e formulações concentradas presentes em medicamentos e suplementos alimentares.
Entre as medidas adotadas, a agência informa que solicitou ajustes nas bulas de medicamentos que contenham cúrcuma, para incluir advertências sobre risco de hepatotoxicidade, com descrição de sinais e sintomas e orientações para pacientes e profissionais de saúde.
No caso dos suplementos alimentares, o tema entrou em reavaliação técnica. Essa análise pode resultar em exigências adicionais de advertência e mudanças na rotulagem voltadas ao consumidor.
Consequências para consumidores e profissionais de saúde
Para o público em geral, o alerta da Anvisa sobre risco hepático ligado ao uso de cúrcuma em cápsulas e extratos relativiza a percepção de que “suplemento natural” é sinônimo de “sem risco”, sobretudo quando se trata de formulações concentradas.
Na prática, a orientação é redobrar a cautela com a automedicação e com o uso contínuo de cápsulas e extratos de cúrcuma, em especial em pessoas com histórico de doenças hepáticas ou condições biliares, como obstrução biliar e cálculos, citadas no alerta como situações que merecem atenção adicional.
Para profissionais de saúde, o comunicado funciona como um sinal para investigar o uso de suplementos e fitoterápicos em pacientes com sintomas compatíveis com lesão hepática. Também reforça a necessidade de orientar a suspensão do produto e proceder à notificação quando houver suspeita de evento adverso, contribuindo para o fortalecimento da vigilância sanitária.
Próximas ações regulatórias e orientação ao público
O próprio alerta indica tendência de avanço nas ações regulatórias, com atualização das bulas de medicamentos à base de cúrcuma e reavaliação do uso da substância em suplementos alimentares. Essas medidas podem incluir o reforço de advertências obrigatórias dirigidas ao consumidor.
Enquanto esse processo avança, a recomendação considerada mais segura é evitar iniciar ou aumentar doses de suplementos com cúrcuma ou curcumina sem avaliação profissional. Em caso de surgimento de sinais sugestivos de problema hepático durante o uso, a indicação é buscar atendimento e seguir as orientações presentes na bula e as recomendações médicas.