Justiça de SP condena dois por morte de jovem em falsa venda de drone
Beatriz Munhos, de 20 anos, foi assassinada em Sapopemba durante negociação anunciada na internet; penas passam de 30 anos em regime fechado
10/03/2026 às 12:06por Redação Plox
10/03/2026 às 12:06
— por Redação Plox
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A Justiça de São Paulo condenou dois dos quatro envolvidos na morte de Beatriz Munhos, de 20 anos, assassinada na frente do pai durante uma falsa venda de drone em Sapopemba, na zona leste da capital paulista. O crime ocorreu em 1º de novembro de 2025, após anúncio de venda pela internet.
Isaías dos Santos Silva e Lucas Kauan da Silva Pereira foram condenados a mais de 30 anos cada por matar Beatriz Munhos, em SP.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Isaías dos Santos Silva, apontado como o autor do disparo que atingiu a cabeça da jovem, foi sentenciado a 31 anos e seis meses de prisão. Já Lucas Kauan da Silva Pereira, identificado como o condutor da motocicleta usada na fuga, recebeu pena de 30 anos e quatro meses. Ambos deverão cumprir a condenação em regime fechado.
Sentença detalha dinâmica do crime
De acordo com a sentença proferida pelo juiz Marcello Ovídio Lopes Guimarães, da 18ª Vara Criminal, Isaías confessou ter efetuado o disparo, mas alegou que não teve intenção de matar. Ele afirmou que atirou após ser atingido por spray de pimenta lançado por Beatriz, o que o teria deixado momentaneamente sem enxergar.
Isaías foi preso em 18 de novembro na cidade de Mirante, na Bahia. Lucas havia sido detido dois dias após o crime, reconhecido pelo pai da vítima como o motociclista que dava apoio ao assaltante durante a ação.
Beatriz Munhos, 20, saiu de Sorocaba, no interior do estado, e aguardava o suposto comprador de um drone na rua Pacoeira, em Sapopemba.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Falsa compra de drone terminou em assalto
No dia do crime, Beatriz saiu de Sorocaba acompanhada do pai e do namorado para concluir a suposta venda de um drone na rua Pacoeira, em Sapopemba. O trio aguardava o comprador quando foi abordado pelos criminosos, por volta das 20h.
Na ação, o pai de Beatriz teve o celular roubado. A jovem reagiu, usando um spray de pimenta contra um dos suspeitos. Em seguida, o criminoso reagiu e efetuou o disparo que a atingiu na cabeça. O namorado ainda tentou conter os assaltantes, que conseguiram fugir de moto.
Beatriz foi socorrida e levada ao Hospital Estadual de Sapopemba, mas não resistiu aos ferimentos. Ela foi velada e sepultada em 3 de novembro do ano passado, em Sorocaba, no interior paulista.
Quadrilha se passava por compradora online
Além de Isaías e Lucas, outros dois homens foram presos sob suspeita de integrar uma quadrilha especializada em roubos cometidos a partir de falsos anúncios e negociações pela internet.
Entre eles está Gabriel Ferreira da Silva, preso em 26 de fevereiro deste ano e apontado como líder do grupo. Ele teria se passado pelo comprador do drone anunciado pelo pai de Beatriz. O quarto preso na investigação é Matheus Andrade da Silva.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso é investigado pela 8ª Cerco. As apurações indicam atuação de uma quadrilha estruturada em golpes com supostas compras online.
Dor do pai e apelo por justiça
Nas redes sociais, o pai de Beatriz, Lucas Munhos, divulgou um vídeo em que narra o que ocorreu e reforça o apelo por punição aos envolvidos.
Amigos, muita gente está achando que não é verdade, mas infelizmente é verdade. Poucos conhecem, eu só estou usando a rede social dela porque a única coisa que sobrou é o celularzinho dela, eles levaram o meu celular. Eu estava junto. Assaltaram e deram um tiro na cabeça da minha filha. Levaram a minha pequena. A minha filha não está mais entre nós. A gente não pode deixar isso impune, senhores, não pode. O governo tem que fazer alguma coisa, a polícia já está fazendo o trabalho dela. Mas isso não pode acontecer novamente com as pessoas. Um pai, uma mãe, um namorado, um irmão não merecem passar por isso.
Lucas Munhos
Para a família, a condenação dos dois réus representa um passo importante, mas ainda há expectativa em relação ao desfecho do processo envolvendo os demais investigados e o funcionamento completo da quadrilha.