EMS planeja lançar genérico mais barato do Ozempic até setembro de 2026

Farmacêutica diz que versão baseada em semaglutida depende do aval da Anvisa nos próximos meses, com expectativa de autorização em cerca de 60 dias, em meio a uma corrida que pode ampliar concorrência e pressionar preços.

10/03/2026 às 20:09 por Redação Plox

A farmacêutica EMS pretende colocar no mercado brasileiro, até setembro de 2026, uma versão mais barata baseada em semaglutida, substância presente no Ozempic, usado no tratamento de diabetes tipo 2 e também procurado para perda de peso. A empresa condiciona o cronograma ao aval da Anvisa, que, segundo a própria EMS, precisaria sair nos próximos meses para viabilizar o lançamento dentro desse prazo.

Empresa mira genérico mais barato do Ozempic até setembro

De acordo com reportagem do Jornal do Comércio, a EMS declarou que planeja ter sua versão do produto disponível até setembro, desde que a Anvisa confirme a autorização sanitária em um horizonte de cerca de 60 dias. A manifestação foi atribuída a Marcus Sanchez, vice-presidente da companhia no Brasil.

Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade

Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade

Foto: Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade Foto: Divulgação


O movimento ocorre em meio a uma corrida de farmacêuticas para entrar no mercado de semaglutida, diante do fim ou proximidade do fim de proteções de propriedade intelectual e da expectativa de aumento da concorrência e de queda de preços. O tema vem sendo acompanhado por veículos econômicos e entidades do setor, que projetam maior oferta de produtos e pressão competitiva nos próximos anos.

Papel da Anvisa e de entidades do setor

A Anvisa é o órgão responsável por autorizar o registro e a comercialização de medicamentos no país. Documentos públicos da agência detalham como são conduzidos os processos de registro e regularização de produtos e fabricantes, reforçando que a entrada de novas versões depende do trâmite regulatório e de decisão sanitária.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) também acompanha o tema e, em publicações anteriores, apontou acordos e movimentações de empresas interessadas em ofertar versões mais baratas de semaglutida no Brasil, quando houver espaço regulatório e de mercado. Esse cenário envolve atenção a prazos de patente e ao enquadramento regulatório de cada item, seja como genérico, similar ou biossimilar.

Preço, acesso e riscos para o consumidor

No campo prático, a possível entrada de novos produtos com semaglutida pode mexer diretamente com o bolso dos pacientes. Se a EMS e outras concorrentes obtiverem aprovação e conseguirem lançar versões mais baratas, a expectativa é de maior pressão competitiva sobre preços ao longo de 2026, especialmente nas grandes redes de farmácia de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Outro ponto sensível é o uso do termo “genérico”. A semaglutida é um fármaco de alta complexidade e, na prática, o consumidor pode se deparar com diferentes tipos de enquadramento regulatório (genérico, similar ou biossimilar), cada um com regras específicas de intercambialidade e rotulagem. A definição do tipo exato de produto que a EMS pretende registrar e como ele será apresentado ao mercado ainda precisa ser detalhada publicamente.

Com a alta demanda, aumenta também a circulação de promessas de “semaglutida barata” fora dos canais regulares, o que abre espaço para produtos irregulares e desinformação. A chegada de versões aprovadas pode reduzir esse terreno, mas não elimina o risco: pacientes devem checar registro, procedência e seguir orientação profissional ao usar medicamentos desse tipo.

Próximos passos no mercado de semaglutida

Os próximos meses serão decisivos para o cronograma anunciado pela EMS. O andamento do processo na Anvisa e uma eventual autorização sanitária são determinantes para que o prazo “até setembro” não seja adiado.

Também será necessário acompanhar informações sobre o produto que a empresa quer lançar: nome comercial, forma de apresentação (como caneta e dosagem), indicações em bula, fabricante responsável e possíveis políticas de preço e de distribuição em nível nacional.

Enquanto isso, outras farmacêuticas já sinalizam interesse no mercado brasileiro de semaglutida, e novas iniciativas devem ser anunciadas ao longo de 2026, com impacto direto sobre o varejo farmacêutico e o acesso a tratamentos baseados na substância.

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