Laudo aponta lesão no pescoço da PM morta com tiro na cabeça

Caso de Gisele Santana, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita e segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da PM

10/03/2026 às 10:50 por Redação Plox

O laudo necroscópico produzido após a exumação do corpo da policial militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, aponta que ela tinha lesões no rosto e no pescoço. Segundo peritos, há indícios de que a PM desmaiou antes de ser atingida na cabeça e não teve qualquer reação de defesa.



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De acordo com o documento, as lesões eram classificadas como “contundentes” e provocadas “por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”, ou seja, marcas compatíveis com unhas.

Laudo necroscópico aponta que PM sofreu “pressão digital” no pescoço antes ser baleada na cabeça.

Laudo necroscópico aponta que PM sofreu “pressão digital” no pescoço antes ser baleada na cabeça.

Foto: Reprodução / Redes sociais.



A policial, de 32 anos, foi encontrada morta no imóvel onde vivia com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo. Ele estava no local no momento da ocorrência e acionou o socorro. A defesa do oficial ainda não se manifestou sobre o resultado do laudo.


O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser tratado como morte suspeita depois que a família de Gisele contestou essa versão. O corpo foi exumado e submetido a novos exames no Instituto Médico-Legal (IML) Central, no sábado (7), incluindo uma tomografia.

Horário do disparo gera dúvidas na investigação

Um dos pontos que chamam a atenção dos investigadores é o horário da morte. Uma vizinha do casal relatou à polícia que acordou às 7h28 após ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento onde estava a policial.


Cerca de meia hora depois, às 7h57, o marido de Gisele fez a primeira ligação para o serviço de emergência da PM, informando que a esposa teria se matado com um tiro na cabeça. Minutos mais tarde, às 8h05, ele telefonou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda respirava. As equipes chegaram ao prédio às 8h13.

Posição da arma e cena do apartamento levantam suspeitas

Outro ponto em análise é a posição da arma no momento em que os socorristas chegaram. Um dos profissionais disse que a pistola parecia estar “bem encaixada” na mão de Gisele, de uma forma que considerou incomum em casos de suicídio. A cena chamou tanto a atenção que ele decidiu fotografar o local.


O socorrista também relatou que o sangue já se encontrava coagulado quando a equipe entrou no apartamento e que não havia cartucho de bala na área onde a policial foi encontrada.

Versão do banho é contestada por socorristas

No inquérito conduzido pela Polícia Civil, depoimentos de bombeiros que atenderam a ocorrência colocam em dúvida a narrativa apresentada pelo tenente-coronel. Em seu relato, ele afirmou que estava tomando banho quando ouviu o disparo, mas os primeiros socorristas que chegaram ao local disseram que o oficial estava seco e que não havia marcas de água no chão do imóvel.


O tenente-coronel declarou que entrou no banheiro por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, escutou um barulho que julgou ser o fechamento de uma porta. Ao sair, teria encontrado Gisele caída na sala. Um sargento do Corpo de Bombeiros, com 15 anos de experiência, contou que encontrou o marido da vítima de bermuda, sem camisa e completamente seco, sem qualquer indício de que tivesse acabado de sair do chuveiro.


Em depoimento, o socorrista registrou que não havia pegadas molhadas nem poças de água que indicassem uma saída apressada do banho. Ele relatou ainda que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas o chão do ambiente e do corredor permanecia seco.


Um tenente da PM que participou da primeira equipe a chegar ao endereço confirmou a impressão: nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho pouco antes do disparo.

Comportamento do marido durante o resgate chama atenção

O estado emocional do tenente-coronel também foi destacado nos depoimentos. Um sargento do Corpo de Bombeiros disse não ter observado qualquer sinal de desespero por parte do oficial, tampouco o viu chorando diante da situação.


Outro bombeiro relatou que o marido da vítima falava de forma calma ao telefone, questionava repetidamente os procedimentos adotados pela equipe e insistia para que Gisele fosse retirada rapidamente do local e levada imediatamente ao hospital.


Os socorristas apontaram ainda que o tenente-coronel não tinha marcas de sangue no corpo ou nas roupas, o que, para eles, sugere que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.

Ligação para desembargador e movimentação no prédio

Entre as ligacões feitas pelo oficial na manhã da morte de Gisele, uma delas despertou a atenção da família da policial: o contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu ao apartamento acompanhado do tenente-coronel.


O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do desembargador no local logo após o disparo e a sequência de acontecimentos registrada pelas câmeras de segurança do prédio, que mostram o retorno do magistrado ao corredor às 9h18 e, em seguida, o reaparecimento do tenente-coronel, 11 minutos depois, usando outra roupa.

O que dizem as defesas e andamento da apuração

Em nota divulgada antes da conclusão do laudo feito após a exumação, a defesa de Geraldo Neto afirmou que o tenente-coronel não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento e que vem colaborando com as autoridades desde o início das apurações.


Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.


O caso, inicialmente registrado como suicídio, segue em investigação pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar, que analisam o conjunto de laudos, depoimentos e registros do dia da morte da policial.

Lesões foram identificadas em novo exame feito após exumação do corpo da vítima na sexta-feira (6), que morreu no apartamento onde morava com o marido.

Lesões foram identificadas em novo exame feito após exumação do corpo da vítima na sexta-feira (6), que morreu no apartamento onde morava com o marido.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


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