Combustível vai aumentar no Brasil? Entenda consequências da alta do petróleo com a guerra no Irã

Empresa afirma que estratégia comercial e melhores condições de refino e logística dão flexibilidade para reduzir a transmissão das variações externas, mesmo com o barril acima de US$ 100 após tensão entre EUA e Irã

10/03/2026 às 11:37 por Redação Plox

A Petrobras informou que não pretende repassar de forma imediata ao consumidor a recente alta do petróleo no mercado internacional, ainda que o conflito entre Estados Unidos e Irã tenha levado o barril a superar os US$ 100 e despertado temores sobre o abastecimento global.



Segundo a companhia, essa menor sensibilidade às oscilações externas ocorre porque a estatal passou a considerar, em sua estratégia comercial, “as melhores condições de refino e logística”, o que dá maior flexibilidade na formação dos preços internos.



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No comunicado, a Petrobras afirmou que essa abordagem permite promover períodos de estabilidade nas bombas ao mesmo tempo em que preserva a rentabilidade da empresa de forma sustentável, reduzindo a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro. A estatal acrescentou ainda que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões sobre reajustes, mas reforçou o compromisso com atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.

Guerra no Oriente Médio pressiona cotações do petróleo

A alta do petróleo é diretamente influenciada pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde trafega cerca de 25% de todo o petróleo mundial. O bloqueio dessa rota estratégica elevou o preço do barril no mercado global, que chegou a US$ 120 na segunda-feira (9).


Preço do barril ultrapassou os US$ 100 em meio à guerra no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais vias globais de escoamento do petróleo.

Preço do barril ultrapassou os US$ 100 em meio à guerra no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais vias globais de escoamento do petróleo.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.



Após declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra estaria próxima do fim, as cotações voltaram a recuar. O barril do tipo Brent passou a ser negociado abaixo dos US$ 100, ainda assim distante dos cerca de US$ 70 registrados em média antes do conflito.


Mesmo depois do fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã com ataques “vinte vezes mais forte” que, segundo ele, “tornarão praticamente impossível a reconstrução do Irã como nação” caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz.

Fim da paridade internacional amplia margem de manobra

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, avalia que a capacidade da Petrobras de mitigar, ao menos em parte, os efeitos da disparada do petróleo se deve ao abandono, em 2023, da política de paridade de preço internacional (PPI), que orientava a revenda dos combustíveis de acordo com as cotações globais.


Ela lembra que, sob a PPI, a política da Petrobras acompanhava integralmente a trajetória dos preços internacionais. Com a mudança, passaram a ser considerados fatores internos, o que oferece uma margem de manobra para a estatal atenuar as oscilações externas no curto prazo.


Ticiana ressalta, porém, que esse espaço de atuação tem alcance limitado e temporário, sobretudo porque o Brasil continua sendo um grande importador de derivados, como gasolina e diesel, além de contar com refinarias já privatizadas.


Entre os exemplos, a especialista cita a refinaria da Bahia, a Rlam, que foi privatizada. Nesses casos, há menos mecanismos para segurar preços nessas unidades do que aqueles de que dispõe a Petrobras em suas próprias refinarias, o que reduz o poder de contenção sobre o valor final dos combustíveis ao consumidor.

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