Trend do TikTok que simula violência contra mulheres vira alvo da Polícia Federal após notícia-crime da AGU

Advocacia-Geral da União pede abertura de inquérito para apurar vídeos com simulações de chutes, socos e esfaqueamento e suspeita de incitação e apologia a crimes; PF vai avaliar diligências e preservação de provas digitais

10/03/2026 às 07:32 por Redação Plox

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal (PF) pedindo a abertura de inquérito para investigar a circulação de vídeos no TikTok com possível apologia à violência contra mulheres. Segundo o órgão, o conteúdo já foi removido da plataforma, mas o caso seguirá sob apuração por suspeita de incitação e apologia a crimes, além de outras condutas previstas na legislação penal.

Desafios do Tik Tok que terminam em morte têm sido cada vez mais frequentes

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Foto: Pixabay


Trend no TikTok simula agressões contra mulheres

De acordo com a AGU, os vídeos faziam parte de uma trend do TikTok que simula violência contra mulheres. As imagens mostravam jovens simulando agressões, como chutes, socos e esfaqueamento, contra manequins que representariam a figura feminina.

A AGU aponta que o material veiculado trazia mensagens que supostamente “justificariam” a violência em situações de recusa de relacionamento, beijo ou casamento, reforçando um contexto de misoginia e violência de gênero em ambiente digital.

O documento encaminhado à PF identifica ao menos quatro perfis associados à divulgação desse tipo de conteúdo. A notícia-crime foi protocolada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), estrutura da AGU voltada à proteção de políticas públicas e de direitos fundamentais.

Argumentos jurídicos e contexto institucional

Na nota oficial, a AGU afirma que, mesmo sem uma vítima específica identificada, a disseminação sistemática de conteúdo misógino pode representar ameaça concreta a direitos fundamentais das mulheres e comprometer a efetividade de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.

Como pano de fundo, o órgão menciona o Pacto Brasil entre os Três Poderes para enfrentamento do feminicídio, firmado em fevereiro de 2026, que prevê ações também no ambiente digital. A discussão sobre a violência online contra mulheres é tratada como parte desse esforço mais amplo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou, em 06/03/2026, um balanço de operações nacionais de combate à violência contra mulheres, com dados sobre prisões e mandados cumpridos, no âmbito de iniciativas federais ligadas ao tema.

O Ministério Público Federal, por sua vez, tem reforçado em ações institucionais recentes a necessidade de enfrentar a violência digital contra mulheres, por meio de campanhas de conscientização e de articulação com órgãos locais e com o sistema de Justiça.

Consequências para usuários, plataformas e investigação

Para usuários e famílias, o episódio reacende o alerta sobre conteúdos que normalizam agressões e podem estimular comportamentos violentos, especialmente entre públicos jovens que consomem e reproduzem trends em redes sociais.

Do ponto de vista da investigação, a notícia-crime formaliza o pedido para que a PF apure autoria, alcance, eventual articulação entre perfis e possíveis crimes vinculados a esse tipo de publicação. A apuração inclui a possibilidade de identificar responsáveis e mapear como a trend se espalhou na plataforma.

Para as plataformas digitais, o caso aumenta a pressão por respostas mais rápidas, mecanismos de moderação mais eficientes e maior rastreabilidade de conteúdos que incentivem violência. A remoção dos vídeos, destaca a AGU, não impede a continuidade da investigação sobre quem os produziu e disseminou.

Na ponta das políticas públicas, o episódio se conecta ao debate sobre violência digital e seus reflexos no mundo offline, com potencial de ampliar intimidação, ameaças e perseguição contra mulheres, impactando toda a rede de proteção e acolhimento.

Próximos passos da apuração

A tendência é que a PF analise a notícia-crime e decida se instaurará ou não um inquérito, além de eventuais diligências para identificação de responsáveis e preservação de provas digitais relacionadas aos vídeos.

Também é esperado que as autoridades definam se haverá pedidos formais de dados à plataforma, dentro dos parâmetros legais, e se o caso será incorporado a ações mais amplas de enfrentamento à violência digital contra mulheres.

Até o momento, as informações disponíveis se limitam à comunicação oficial da AGU sobre o envio da notícia-crime e ao contexto institucional já divulgado. Detalhes como identidade dos perfis envolvidos, localização dos responsáveis e possíveis medidas cautelares ainda dependem de confirmação em apurações futuras e de posicionamento da PF.

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