PF aponta promoção sem experiência mínima e omissão de panes em voo da Voepass
Relatório final sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), cita relatos de pressão para não registrar falhas técnicas; acidente matou 62 pessoas.
Quase 2 mil unidades de canetas emagrecedoras contrabandeadas foram apreendidas pela Receita Federal em Minas Gerais nos primeiros seis meses de 2026. O avanço colocou os medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade e do diabetes entre os produtos encontrados com frequência nas rotas do mercado clandestino, ampliando o alerta sobre procedência, conservação e uso sem acompanhamento médico.
Levantamento estima que quase metade das canetas usadas no país são do mercado ilegal
Foto: • Receita Federal | Divulgação
Em entrevista à Itatiaia, o auditor fiscal da Receita Federal Diogo Vasconcelos relatou que esses medicamentos passaram a aparecer junto de mercadorias tradicionalmente trazidas de forma irregular, como celulares e perfumes. Parte das cargas é escondida em compartimentos de veículos e transportada sem o controle de temperatura necessário, o que pode comprometer a qualidade do produto antes de ele chegar ao consumidor.
O comércio ilegal também é alvo de uma investigação federal. Na quinta-feira (9), a Polícia Federal deflagrou a Operação Perigosa Caneta e cumpriu três mandados de busca e apreensão em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Duas ordens foram executadas no bairro Três Poços e outra no Santo Agostinho. A apuração começou após uma denúncia sobre a possível venda de medicamentos para emagrecimento sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os investigados poderão responder por contrabando e comercialização de medicamentos sem registro.
Um estudo da empresa de inteligência de mercado Scanntech estimou que mais da metade das doses de medicamentos da classe GLP-1 consumidas no Brasil pode ter origem em canais informais. O levantamento também apontou aumento de 239% no uso dessas substâncias no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A estimativa sobre o mercado clandestino é indireta e foi calculada a partir do crescimento das vendas de seringas acima da tendência histórica relacionada à aplicação de insulina.
A Anvisa alerta que medicamentos sem registro no país não passaram pela avaliação brasileira de qualidade, segurança e eficácia. Fiscalizações realizadas em 2026 identificaram problemas como falhas de esterilização, deficiências no controle de qualidade e uso de insumos sem origem ou composição devidamente identificadas. A falta de rastreabilidade também dificulta a investigação de reações adversas e a retirada de produtos problemáticos do mercado.
Mesmo os medicamentos regularizados devem ser usados somente com prescrição e acompanhamento profissional. Entre as complicações associadas ao uso indevido está a pancreatite aguda, que pode evoluir para quadros graves. Dor abdominal intensa e persistente, acompanhada ou não de náuseas, vômitos ou irradiação para as costas, exige avaliação médica imediata. Desde junho de 2025, a venda das chamadas canetas emagrecedoras está sujeita à retenção da receita nas farmácias.
A patente da semaglutida expirou no Brasil em 20 de março de 2026, mas isso não libera automaticamente a fabricação ou a venda de qualquer produto com a substância. Novas versões continuam obrigadas a comprovar qualidade, segurança e eficácia e a obter registro na Anvisa. A orientação é adquirir os medicamentos somente em estabelecimentos regularizados, com receita e identificação completa do fabricante.