Receita Federal apreende quase 2 mil canetas emagrecedoras contrabandeadas em MG no 1º semestre

Auditor fiscal alerta para riscos de procedência e conservação sem controle de temperatura, e a Anvisa reforça que o uso exige prescrição e acompanhamento médico.

10/07/2026 às 09:02 por Redação Plox

Quase 2 mil unidades de canetas emagrecedoras contrabandeadas foram apreendidas pela Receita Federal em Minas Gerais nos primeiros seis meses de 2026. O avanço colocou os medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade e do diabetes entre os produtos encontrados com frequência nas rotas do mercado clandestino, ampliando o alerta sobre procedência, conservação e uso sem acompanhamento médico.

Levantamento estima que quase metade das canetas usadas no país são do mercado ilegal

Levantamento estima que quase metade das canetas usadas no país são do mercado ilegal

Foto: • Receita Federal | Divulgação

Mercado clandestino entra na rota do contrabando

Em entrevista à Itatiaia, o auditor fiscal da Receita Federal Diogo Vasconcelos relatou que esses medicamentos passaram a aparecer junto de mercadorias tradicionalmente trazidas de forma irregular, como celulares e perfumes. Parte das cargas é escondida em compartimentos de veículos e transportada sem o controle de temperatura necessário, o que pode comprometer a qualidade do produto antes de ele chegar ao consumidor.

PF cumpre mandados em Volta Redonda

O comércio ilegal também é alvo de uma investigação federal. Na quinta-feira (9), a Polícia Federal deflagrou a Operação Perigosa Caneta e cumpriu três mandados de busca e apreensão em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Duas ordens foram executadas no bairro Três Poços e outra no Santo Agostinho. A apuração começou após uma denúncia sobre a possível venda de medicamentos para emagrecimento sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os investigados poderão responder por contrabando e comercialização de medicamentos sem registro.

Um estudo da empresa de inteligência de mercado Scanntech estimou que mais da metade das doses de medicamentos da classe GLP-1 consumidas no Brasil pode ter origem em canais informais. O levantamento também apontou aumento de 239% no uso dessas substâncias no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A estimativa sobre o mercado clandestino é indireta e foi calculada a partir do crescimento das vendas de seringas acima da tendência histórica relacionada à aplicação de insulina.

Produto sem registro pode trazer risco grave

A Anvisa alerta que medicamentos sem registro no país não passaram pela avaliação brasileira de qualidade, segurança e eficácia. Fiscalizações realizadas em 2026 identificaram problemas como falhas de esterilização, deficiências no controle de qualidade e uso de insumos sem origem ou composição devidamente identificadas. A falta de rastreabilidade também dificulta a investigação de reações adversas e a retirada de produtos problemáticos do mercado.

Mesmo os medicamentos regularizados devem ser usados somente com prescrição e acompanhamento profissional. Entre as complicações associadas ao uso indevido está a pancreatite aguda, que pode evoluir para quadros graves. Dor abdominal intensa e persistente, acompanhada ou não de náuseas, vômitos ou irradiação para as costas, exige avaliação médica imediata. Desde junho de 2025, a venda das chamadas canetas emagrecedoras está sujeita à retenção da receita nas farmácias.

A patente da semaglutida expirou no Brasil em 20 de março de 2026, mas isso não libera automaticamente a fabricação ou a venda de qualquer produto com a substância. Novas versões continuam obrigadas a comprovar qualidade, segurança e eficácia e a obter registro na Anvisa. A orientação é adquirir os medicamentos somente em estabelecimentos regularizados, com receita e identificação completa do fabricante.

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