Acordo União Europeia–Mercosul pode baratear chocolates, queijos e vinhos no Brasil

Tratado aprovado pelos países europeus, ainda pendente de ratificação no Parlamento Europeu, prevê redução gradual até isenção de tarifas de importação para alimentos como chocolates, queijos, azeites, vinhos e molhos de tomate, além de ampliar a competitividade do agronegócio do Mercosul no mercado europeu

11/01/2026 às 13:52 por Redação Plox

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, aprovado na sexta-feira (9/1) pelos países europeus, abre caminho para a queda de preços de produtos bastante consumidos no Brasil e reconhecidos pela qualidade no mercado europeu, como chocolates, queijos, azeites e molhos de tomate.

Os vinhos europeus terão alíquotas de 20% a 27% reduzidas a zero entre o oitavo e décimo ano

Os vinhos europeus terão alíquotas de 20% a 27% reduzidas a zero entre o oitavo e décimo ano

Foto: Pixabay/ Reprodução


O tratado prevê um cronograma de redução gradual das alíquotas de importação para diversos alimentos, com prazos que variam conforme o produto. Em muitos casos, os cortes começam já no primeiro ano de vigência do acordo, que ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu.

Chocolates terão imposto zerado em dez anos

Hoje taxados em 20% na entrada no Brasil, os chocolates europeus passarão a ter isenção total de tributos a partir do décimo ano de vigência do acordo. A queda, porém, será escalonada, com reduções já programadas desde o primeiro ano do tratado.

Queijos europeus com cota de importação

Os queijos produzidos na União Europeia, atualmente sujeitos à alíquota de 16%, também alcançarão isenção de imposto de importação ao fim de dez anos. Haverá, porém, uma cota anual de 30 mil toneladas para todo o Mercosul; após esse limite, os importadores voltam a pagar tarifas de importação. A mozarela ficará fora do benefício amplo e continuará sendo tributada em 28%.

Azeite com reduções graduais até isenção

Os azeites europeus, hoje taxados em 10%, terão a alíquota zerada no 15º ano do acordo, também com cortes graduais desde o primeiro ano de vigência. A medida tende a ter impacto relevante para o bolso do consumidor brasileiro, já que quase todo o azeite consumido no país é importado.

Portugal é o principal fornecedor: em 2025, exportou 10 mil toneladas de azeite ao Brasil, bem à frente da Argentina, segunda colocada, com 662 toneladas.

Molho de tomate importado ficará mais barato

Os molhos de tomate, especialmente os de origem italiana — principais entre os molhos importados pelo Brasil —, também estão na lista de produtos beneficiados. Em até dez anos, a tarifa de importação de 18% será completamente eliminada, reduzindo o custo desses itens nas prateleiras.

Kiwi, vinho e manteiga entram no pacote

Consumidores de kiwi no Brasil também devem sentir alívio nos preços. A maior parte da fruta vendida no país é importada, com Grécia e Itália figurando como segundo e terceiro maiores fornecedores, atrás apenas do Chile. Para o kiwi, a redução da tarifa será integral logo no primeiro ano de vigência do acordo.

No caso dos vinhos europeus, as alíquotas atuais, que variam de 20% a 27%, serão reduzidas a zero entre o oitavo e o décimo ano, conforme o tipo da bebida. Alguns vinhos brancos produzidos em regiões específicas da Europa terão isenção imediata, já no primeiro ano do tratado.

A manteiga também terá queda de imposto, embora o Brasil importe pouco desse produto. Assim que o acordo entrar em vigor, haverá redução de 30% na alíquota aplicada sobre a manteiga europeia, hoje em 16%.

Agronegócio brasileiro é um dos maiores beneficiados

Enquanto agricultores europeus demonstram resistência ao acordo, temendo maior concorrência da carne brasileira no mercado europeu, no Brasil o clima é de otimismo entre entidades empresariais e do agronegócio.

As tarifas de importação sobre 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul para a União Europeia serão eliminadas, com destaque para carnes suína e de frango, açúcar, pecuária bovina e óleos e gorduras vegetais.

Simulações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que, até 2040, as exportações de carnes de suínos e aves dos países do Mercosul para o mercado europeu podem crescer 19,7%.

Entidades empresariais veem avanço para indústria e exportações

Após a aprovação do acordo, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgou nota em que considera o tratado um avanço nas relações comerciais entre os dois blocos e destaca o potencial de expansão das exportações brasileiras de frango, carne suína e ovos para a União Europeia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou, avaliando que o acordo representa um passo importante para ampliar a inserção internacional do Brasil e fortalecer a indústria nacional.

O acordo também prevê o reconhecimento recíproco de indicações geográficas, protegendo produtos regionais brasileiros com selo de origem e ampliando oportunidades para marcas nacionais no mercado europeu, como café e queijosCNI

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