Maior iceberg do mundo entra em fase terminal após quase 40 anos

Iceberg A-23A, formado em 1986 e monitorado por décadas, apresenta fortes sinais de degradação e pode se desintegrar completamente ainda neste verão austral, segundo pesquisadores

11/01/2026 às 10:45 por Redação Plox

Imagens recentes de satélite indicam que o A-23A, considerado o maior iceberg do mundo, pode estar vivendo seus últimos dias após quatro décadas de monitoramento científico. Mesmo em fase avançada de degradação, o bloco de gelo ainda tem cerca de 1.182 km², mais de três vezes a área de Belo Horizonte.

Imagens de satélite sugerem que o bloco de gelo sofreu um “vazamento”

Imagens de satélite sugerem que o bloco de gelo sofreu um “vazamento”

Foto: Nasa


Quatro décadas de deslocamentos e encalhes

O A-23A se desprendeu da Antártida em 1986 com aproximadamente 4 mil km² e, desde então, passou a ser frequentemente classificado como “o maior iceberg do mundo”. Durante mais de 30 anos, permaneceu encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell, praticamente estacionado nesse ponto do oceano.

Em 2020, o bloco se soltou e começou a se deslocar para o norte. Nessa trajetória, quase colidiu com a ilha Geórgia do Sul, onde voltou a ficar preso em águas rasas por vários meses, antes de escapar novamente em direção ao oceano aberto.

Imagens da Nasa e sinais de desintegração

Na quinta-feira (8), a Nasa divulgou uma nova imagem de satélite que reforça a avaliação de que o iceberg está próximo de se desintegrar. Desde o ano passado, cientistas vêm alertando para a possibilidade de um colapso completo do A-23A ainda neste verão no hemisfério sul.

Certamente não espero que o A-23A dure até o final do verão austral

Chris Shuman, pesquisador aposentado da University of Maryland Baltimore County, ao portal da Nasa

De acordo com a agência, as imagens sugerem que o iceberg sofreu um “vazamento”. O peso da água acumulada na superfície teria aumentado a pressão nas bordas do bloco, provocando rachaduras e fragilizando ainda mais sua estrutura.

Para os cientistas, esses sinais indicam que o maior iceberg em observação nas últimas décadas pode estar a dias ou semanas de se desintegrar por completo, encerrando um longo capítulo de estudos sobre sua trajetória e transformação no oceano Austral.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a