Brasil consolida modelo de aproveitamento quase total do boi e amplia exportações além da carne

Indústria frigorífica e pecuária exportam de cortes nobres a miúdos, couro, sebo e insumos farmacêuticos, fortalecendo receita e competitividade

11/02/2026 às 13:24 por Redação Plox

O setor pecuário brasileiro consolidou um modelo de negócio em que o ditado “do boi só se perde o berro” é levado ao pé da letra. Muito além da picanha e do filé mignon, a indústria frigorífica nacional transformou o aproveitamento integral do animal em um pilar de sustentabilidade econômica, exportando desde cortes nobres até sebo, pênis, outros órgãos e insumos farmacêuticos para diversos continentes.


Essa estratégia de aproveitamento total do boi permite ao Brasil atender, ao mesmo tempo, o mercado de luxo europeu, as demandas de segurança alimentar de países em desenvolvimento e ainda abastecer indústrias de energia e moda espalhadas pelo mundo.

Brasil lidera exportações

Brasil lidera exportações

Foto: Reprodução: IMAC


Mapa do aproveitamento do boi nas exportações

A eficiência do setor está na capacidade de direcionar cada parte do animal ao mercado que melhor a remunera. A carne de maior valor agregado segue para restaurantes e redes de alto padrão, enquanto cortes industriais, miúdos e subprodutos encontram demanda em diferentes regiões.

Nos cortes nobres, como picanha e filé mignon, a União Europeia e estabelecimentos de gastronomia premium figuram entre os principais destinos. Já cortes como acém e paleta têm forte presença em países como China, Egito, Indonésia e Chile.

Miúdos como fígado, língua, bucho, rabada e pênis se destacam em mercados como Hong Kong, Vietnã, Nigéria e Peru, onde são consumidos de forma difundida e, em alguns casos, como iguarias. O couro, nas formas Wet Blue e acabado, segue sobretudo para Itália, China e Estados Unidos, atendendo segmentos de moda e automotivo.

O sebo bovino abastece indústrias de energia e química, com embarques para Singapura e Holanda, sendo utilizado na produção de biodiesel e cosméticos. Já insumos ligados à saúde e à nutrição, como colágeno, heparina e produtos destinados ao pet food, têm como principais mercados países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e França.

Aproveitamento integral reforça competitividade

A lógica de utilizar praticamente tudo que é gerado no abate do boi é apontada como um dos fatores que sustentam a competitividade do Brasil no comércio internacional de carne bovina.

Quando falamos em exportação, muita gente pensa apenas nos cortes nobres, mas o diferencial está no aproveitamento integral. Isso torna a cadeia mais competitiva e sustentável – Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac)

A diversificação de usos é ampla. Na culinária, itens como pênis bovino e bucho são consumidos como iguarias em mercados asiáticos e africanos, chegando a superar em valor alguns cortes tradicionais bastante populares no Brasil. Na indústria farmacêutica, o boi fornece insumos como heparina, anticoagulante usado em tratamentos de saúde, além de colágeno voltado a mercados de alta tecnologia.

No campo da energia, o sebo bovino ganhou relevância na produção de biodiesel na Europa, transformando o que antes era considerado resíduo em combustível renovável. Esse movimento reforça a percepção de que o animal é aproveitado de forma quase total, com impacto direto na geração de valor.

Farinha, fertilizante e pet food fecham o ciclo

Até mesmo o que resta do processamento, como ossos e sangue, é reaproveitado. Esses materiais são transformados em farinhas ricas em nutrientes, que abastecem o setor de ração animal e o mercado de pet food em países da América Latina e na Tailândia.

Os ossos também são matéria-prima para fertilizantes orgânicos utilizados na agricultura sustentável em regiões como Canadá e Europa, contribuindo para um ciclo produtivo que busca reduzir desperdícios e ampliar a eficiência de toda a cadeia.

De acordo com o Imac, essa integração entre diferentes segmentos – alimentação humana, indústria farmacêutica, energia, moda, agricultura e nutrição animal – é um dos fatores que garantem a resiliência do setor diante das oscilações do mercado global. Ao não desperdiçar nada, o Brasil maximiza a receita por animal abatido e reforça sua posição como maior exportador de carne bovina do mundo.

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