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A construção civil brasileira deve registrar um desempenho mais forte em 2026, após uma desaceleração em 2025. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para o setor, o que significará o terceiro ano consecutivo de expansão.
O PBQP-H é um programa que propõe-se a organizar o setor da Construção Civil em torno da melhoria da qualidade por meio da modernização produtiva
Foto: Divulgação
De acordo com a entidade, o resultado esperado será favorecido pela perspectiva de queda dos juros, pela ampliação da oferta de crédito imobiliário e pelo aumento dos investimentos em infraestrutura.
Entre os fatores que devem impulsionar a atividade estão o orçamento recorde do FGTS para habitação, novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, o novo modelo de financiamento imobiliário com recursos da poupança e iniciativas públicas voltadas à reforma de moradias.
Um dos exemplos é o programa Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos de cerca de R$ 40 bilhões. Além disso, a ampliação dos limites do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) tende a aumentar a oferta de crédito para a compra de imóveis.
A expectativa é de um incremento no crédito imobiliário, com impactos positivos para o setor Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC
Apesar do cenário mais favorável, a construção civil ainda enfrenta desafios. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a CBIC, aponta que a carga tributária elevada, os juros ainda altos e o custo da mão de obra — tanto qualificada quanto não qualificada — continuam entre os principais entraves ao avanço do setor.
O comportamento recente da economia também reflete um ambiente de crédito mais caro. Em 2025, a construção cresceu 1,7% até o terceiro trimestre, na comparação anual, após ter registrado alta de 4,2% em 2024, o que indica perda de ritmo ao longo do último ano.
Mesmo assim, alguns indicadores permaneceram positivos. O consumo de cimento alcançou 66,9 milhões de toneladas em 2025, alta de 3,68% em relação a 2024, embora a confiança dos empresários tenha recuado, de acordo com a sondagem setorial.
Segundo a CBIC, o resultado de 2025 foi condicionado por um ambiente de juros ainda elevados. Nesse contexto, os custos da construção avançaram acima da inflação oficial.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,92% no período, enquanto o IPCA ficou em 4,26%. A maior pressão veio da mão de obra, cujo custo subiu 8,98%.
Mesmo com esse quadro, a atividade continuou em expansão e gerando vagas formais. Ao fim de 2025, a construção civil empregava 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, um aumento de 3,08% em relação ao ano anterior.
A construção de edifícios concentrou o maior número de empregados e liderou a criação de postos formais no setor. Entre 2020 e 2025, foram abertos 886.709 empregos com carteira assinada na construção civil.
Os investimentos em infraestrutura também deram suporte à atividade em 2025. Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), os aportes podem ter alcançado R$ 280 bilhões, cerca de 3% acima do observado em 2024.
Nesse montante, o capital privado respondeu por 84% do total investido, reforçando o peso do setor privado no financiamento de projetos de infraestrutura no país.