Construção civil aposta que isenção do IR até R$ 5 mil vai destravar compra da casa própria em 2026

Com descontos até R$ 7.350, setor avalia que aumento da renda disponível e mudanças na Caixa podem ampliar acesso ao crédito e impulsionar o Minha Casa, Minha Vida

11/02/2026 às 07:58 por Redação Plox

O aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, com descontos estendidos até R$ 7.350, vem sendo visto pelo setor da construção civil como um dos principais motores para destravar a compra da casa própria em 2026. A avaliação é de que a renda que passa a sobrar no orçamento das famílias tende a ser direcionada para o financiamento de imóveis, sobretudo nas faixas de baixa e média renda.

A reforma na cobrança do imposto começou a valer em janeiro, com reflexos já na folha de pagamento de fevereiro. De acordo com estimativas do governo federal, cerca de 16 milhões de pessoas serão alcançadas pela mudança. O ganho mensal calculado é de R$ 312,89 para quem fica totalmente isento, o que representa R$ 4.067,57 por ano ao se considerar também o 13º salário.

Setor avalia que recursos que sobram no orçamento mensal das famílias pode ir para o mercado do Minha Casa, Minha Vida

Setor avalia que recursos que sobram no orçamento mensal das famílias pode ir para o mercado do Minha Casa, Minha Vida

Foto: Presidência


Construtoras projetam impacto no Minha Casa, Minha Vida

Empresários do setor destacam que a nova faixa de isenção dialoga diretamente com o público atendido pelos programas habitacionais. A expectativa é de que a renda extra ajude a ampliar a capacidade de pagamento das prestações e, consequentemente, o acesso ao crédito imobiliário, em especial no Minha Casa, Minha Vida, apontado como um mercado “pujante” e em crescimento em 2025.

Segundo o CEO da MRV&CO, Eduardo Fischer, a mudança na isenção do Imposto de Renda é considerada a medida mais relevante para o setor nos últimos anos, sobretudo por impactar diretamente o público de baixa e média renda atendido pela companhia.

Mais espaço no orçamento para financiar moradia

No cálculo de representantes da construção civil, a combinação de renda maior no fim do mês e condições mais favoráveis de financiamento pode destravar novos negócios. A percepção é de que o valor que deixa de ser recolhido em imposto tende a ser incorporado pela análise de crédito dos bancos, permitindo que as famílias assumam prestações um pouco mais altas sem comprometer o orçamento.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais, Raphael Lafetá, avalia que a política de isenção em conjunto com as mudanças na Caixa Econômica Federal — como a possibilidade de financiar até 80% do imóvel e contratar mais de um custeio simultaneamente — amplia significativamente o acesso à moradia.

Isenção fortalece vendas em todas as faixas de renda

Empresas que atuam em diferentes segmentos do mercado também enxergam um estímulo às vendas a partir da reforma do Imposto de Renda. Para o presidente do Grupo Patrimar, Alex Veiga, presente nas três faixas de renda e com participação no principal programa de habitação do governo federal, a isenção funciona como incentivo adicional à aquisição de imóveis.

Na visão do empresário, o dinheiro que passa a sobrar no fim do mês deve se converter em novas contratações, sobretudo em programas com prestações mais acessíveis. A expectativa é de um incremento nas vendas de unidades vinculadas ao Minha Casa, Minha Vida, que já vem registrando bom desempenho, impulsionado pelas recentes mudanças adotadas pelo governo federal.

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