Latam demite piloto preso em Congonhas suspeito de chefiar rede de exploração sexual infantil
Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi detido temporariamente dentro de um avião e é investigado pela Polícia Civil; empresa diz ter tolerância zero a violações e se colocou à disposição das autoridades
11/02/2026 às 16:56por Redação Plox
11/02/2026 às 16:56
— por Redação Plox
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O piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso na segunda-feira (9) sob suspeita de chefiar uma rede de abuso sexual infantil, foi demitido da Latam, informou a companhia aérea nesta quarta-feira (11).
Piloto é preso dentro de avião no aeroporto de Congonhas suspeito de manter rede de abuso sexual infantil
Foto: Reprodução/TV Globo
Em comunicado, a empresa afirmou que ele não integra mais o quadro de colaboradores e destacou adotar política de tolerância zero para condutas que violem seus valores, ética e código de conduta, além de reafirmar que segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Sérgio foi preso temporariamente na manhã de segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. Ele é apontado nas investigações como o chefe de uma rede de exploração e abuso sexual infantil.
A advogada Claudia Apolonia, que representa o piloto, informou ao g1 que seguirá a discrição no exercício da profissão e ressaltou que o caso corre em segredo de Justiça por causa da natureza das investigações.
Presa avó de vítimas e mãe flagrada com material ilícito
As investigações duraram cerca de três meses. De acordo com a polícia, o suspeito levava crianças e adolescentes a motéis usando documentos de identidade falsos, onde cometia os abusos.
A apuração também apontou que Sérgio recebia, por WhatsApp, imagens das vítimas enviadas por mães, avós ou outros responsáveis, em troca de dinheiro.
Além do piloto, a avó de três vítimas foi presa temporariamente. Já a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenar e compartilhar material de exploração sexual infantil. Até a última atualização da reportagem original, a defesa dos demais investigados ainda não havia sido localizada.
Prisão em Congonhas e dificuldade de localização
A delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a prisão foi realizada no aeroporto devido à dificuldade de localizar o suspeito em casa. Segundo ela, Sérgio tem residência em Guararema, e a equipe não conseguia saber quando ele estava em solo ou em voo.
Ele tem uma residência em Guararema. Não conseguíamos saber quando ele estava voando ou não. Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje. Quando chegamos no aeroporto por volta das 5h30, ele já estava lá. Quando começaram a fazer a chamada do voo, nós fomos perguntar e ele já estava no avião. Era uma forma de tentar localizá-lo.
Ivalda Aleixo
A prisão ocorreu já com o piloto a bordo da aeronave que decolaria de Congonhas.
Abordagem de responsáveis e pagamentos em dinheiro
De acordo com a Polícia Civil, o piloto inicialmente se aproximava de mães, avós ou responsáveis legais pelas crianças e adolescentes. Em seguida, deixava claro que seu interesse era na vítima e fazia propostas envolvendo abusos e envio de imagens.
As investigações apontam que cada imagem enviada gerava pagamentos via Pix, em valores que variavam de R$ 30 a R$ 100. Em alguns casos, ele arcava com medicamentos, aluguel e até a compra de uma televisão para os responsáveis.
Dez vítimas identificadas e possível atuação em outros estados
Até o momento, a Polícia Civil identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas os investigadores acreditam que o número possa ser maior. Imagens localizadas no celular apreendido com o suspeito indicam a existência de vítimas em outros estados.
A polícia também apura com quem o material era compartilhado. Segundo os investigadores, além do consumo pessoal, há fortes indícios de que o conteúdo era distribuído para outras pessoas.
De acordo com a polícia, a esposa do piloto tomou conhecimento das suspeitas no curso da investigação e, segundo o relato dos investigadores, ficou horrorizada ao descobrir os supostos crimes.
Operação “Apertem os Cintos” e estrutura organizada
A operação deflagrada na segunda-feira, batizada de Apertem os Cintos, apura crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados na capital paulista e em Guararema, na Região Metropolitana, onde o piloto mora.
Segundo a polícia, as provas reunidas até agora indicam a existência de uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de atuação habitual, divisão de funções e coordenação entre os envolvidos.
Posicionamento da Latam e operação do voo
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que abriu apuração interna e reafirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia declarou ainda que repudia veementemente qualquer ação criminosa e que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta.
Segundo a empresa, o voo LA3900 (São Paulo/Congonhas – Rio de Janeiro/Santos Dumont), que seria comandado por Sérgio no dia da prisão, operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto.