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A mudança nas regras de tributação do futebol brasileiro, definida a partir da reforma tributária em discussão no país, cria um novo cenário de competição entre clubes associativos e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trechos do texto-base da emenda constitucional manteve a diferença de alíquotas entre os dois modelos e elevou a carga tributária para as agremiações tradicionais, organizadas como associações.
O presidente da República também recebeu Samir Xaud, presidente da CBF.
Foto: (Ricardo Stuckert/PR)
Pelas regras que passam a valer em 1º de janeiro de 2027, os clubes associativos recolherão 15,5% sobre a receita bruta em impostos, enquanto as SAFs serão tributadas em 6%. Está previsto um período de transição até 2032, o que obriga os clubes a reverem projeções e estratégias de médio e longo prazo.
Durante a tramitação da reforma, o texto original estabelecia uma alíquota de 8,5% para as SAFs. Após negociações que envolveram parlamentares, dirigentes de clubes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), esse percentual foi reduzido para 4%. Na etapa final, parlamentares ligados ao Flamengo articularam um dispositivo para igualar a tributação entre associações e SAFs, mas o trecho — assim como outros pontos relacionados ao tema — acabou vetado pela Presidência.
Com os vetos, a diferenciação entre os modelos foi preservada. Hoje, clubes associativos contam com isenções relevantes, desembolsando cerca de 5% ao INSS sobre receitas específicas, como bilheteria. Já as SAFs recolhem 5% nos primeiros cinco anos de atividade, valor que já inclui a contribuição previdenciária, e passam a pagar 4% a partir do sexto ano.
Após a confirmação do novo desenho tributário, o Flamengo produziu um estudo interno que estima um pagamento de aproximadamente R$ 746 milhões em impostos nos próximos oito anos. No mesmo período, a projeção indica que as SAFs terão um custo tributário cerca de R$ 473 milhões menor, o que aprofunda a sensação de desvantagem entre os clubes que optarem por manter o modelo associativo.
Diante desse quadro, a direção rubro-negra iniciou um plano de contenção de despesas. A expectativa é cortar cerca de R$ 16 milhões já em 2026, com foco principalmente nos esportes olímpicos. A prioridade é resguardar os investimentos no futebol profissional e, ao mesmo tempo, evitar a transformação do clube em SAF.
Clube-empresa desde sua fundação, o Cuiabá avalia que o novo regime tributário tende a empurrar mais instituições para o modelo de SAF. A direção, no entanto, demonstra cautela em relação a possíveis alterações nas regras para essas sociedades.
Com a mudança na tributação das associações, muitos clubes que convivem em situação financeira delicada serão forçados a se tornarem SAF em um movimento natural visando melhora financeira e profissionalização. Por outro lado, um novo aumento tarifário das SAFs seria prejudicial ao futebol, principalmente porque os altos impostos inviabilizariam o investimento no esporte.Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, ao portal LeoDias Esportes
O cenário reforça a percepção de que a escolha do modelo jurídico passa a ser também uma decisão sobre sobrevivência financeira, e não apenas uma opção de gestão ou de governança.
A escolha pelo formato de clube-empresa já vinha ganhando força antes mesmo da reforma tributária. Segundo Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, o número de clubes que aderiram ao modelo de SAF cresceu de forma acelerada nos últimos anos.
De acordo com ele, o país saiu de zero para mais de 100 clubes que adotaram o modelo de SAF em quatro anos, o que sinaliza uma reação positiva do mercado ao novo formato. Na avaliação do especialista, a reforma tributária transmite uma leitura clara do governo sobre os rumos do setor, indicando que as SAFs são vistas como parte central do futuro da modalidade, embora a modernização e a profissionalização sejam apontadas como necessárias independentemente do modelo adotado.
Paralelamente às mudanças fiscais, o Flamengo se movimenta no campo político para tentar reverter o cenário. O clube atua pela derrubada dos vetos presidenciais e pela retomada da igualdade tributária entre associações e SAFs, por meio da iniciativa “Amigo do Esporte”, que busca apoio de parlamentares no Congresso Nacional.
No horizonte de longo prazo, a estratégia rubro-negra vai além da equiparação: a direção pretende defender uma redução da alíquota dos clubes associativos para um patamar inferior ao das SAFs ou, em um cenário limite, a isenção completa de impostos para esse modelo.
Enquanto o embate político segue aberto, a reforma tributária redesenha o equilíbrio econômico do futebol brasileiro e impõe decisões estruturais que devem definir o futuro dos clubes a partir de 2027, pressionando especialmente as agremiações tradicionais a revisarem seus formatos de gestão e financiamento.