Roblox, Discord, YouTube, TikTok e OpenAI anunciam verificação de idade para proteger menores

Plataformas prometem exigir selfie, documento ou autorização vinculada a cartão para liberar funções e limitar acesso a conteúdos sensíveis; no Brasil, Estatuto Digital da Criança e do Adolescente entra em vigor em março

11/02/2026 às 09:02 por Redação Plox

As principais plataformas digitais anunciaram novas medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na internet. Roblox, Discord, YouTube, TikTok e a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, passaram a adotar ou ampliar sistemas de verificação de idade, que incluem envio de selfie, documento de identidade ou autorização vinculada a cartão de crédito, sem cobrança.




A decisão ocorre em meio a uma pressão global por mais controle sobre o acesso de menores a conteúdos sensíveis, diante de casos de exploração sexual, incentivo ao suicídio e danos à saúde mental.

Plataformas apertam controle sobre acesso de menores

O Discord informou que, a partir de março, usuários que quiserem alterar configurações de segurança ou acessar conteúdos sensíveis terão que passar por verificação de idade. O Roblox já passou a exigir comprovação para liberar o uso do chat, medida que gerou protestos virtuais dentro do próprio jogo.


Plataformas podem exigir que usuários enviem mais informações para garantir que têm a idade adequada para acessar determinados conteúdos.

Plataformas podem exigir que usuários enviem mais informações para garantir que têm a idade adequada para acessar determinados conteúdos.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.



YouTube e OpenAI anunciaram a implementação de sistemas baseados em inteligência artificial para estimar a idade dos usuários a partir do comportamento de navegação. O TikTok também iniciou a verificação na Europa.

Debate regulatório avança em vários países

Em diversos países, a discussão sobre regulação da presença de menores nas redes sociais avança. Na Austrália, menores de 16 anos foram proibidos de acessar plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube.

Nos Estados Unidos, empresas como Meta e Google enfrentam processos judiciais por supostos danos à saúde mental de crianças. A OpenAI também foi alvo de acusações de que o ChatGPT teria incentivado o suicídio de adolescentes.

Brasil prepara novas exigências para proteção online

No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que passa a valer em março, prevê que plataformas devem verificar a idade dos usuários quando houver risco de acesso a conteúdo inadequado para menores de 16 anos.


A verificação poderá ser feita por meio de selfie para estimativa de idade, envio de documento oficial ou confirmação por cartão de crédito, sem cobrança. Os sistemas analisam características faciais e utilizam inteligência artificial treinada com milhões de imagens para estimar a faixa etária. No entanto, as empresas admitem que não há método infalível, e deepfakes, imagens falsificadas por IA, representam um desafio crescente.

Mudanças acontecem casos de exploração sexual, suicídio e danos à saúde mental.

Mudanças acontecem casos de exploração sexual, suicídio e danos à saúde mental.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Crescem crimes digitais e uso de IA em abusos

As denúncias de crimes cibernéticos no Brasil cresceram quase 30% em 2025, totalizando quase 90 mil novas queixas. Os dados apontam para uma escalada preocupante de violações na internet, com destaque para casos envolvendo inteligência artificial.


Segundo a SaferNet, organização que atua na defesa dos direitos humanos na internet, as denúncias de misoginia somaram quase 9 mil registros em 2025, um aumento de 225% em relação ao ano anterior.

O uso de inteligência artificial para produzir imagens falsas de abuso infantil também contribuiu para a alta das denúncias de exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes. Foram mais de 63 mil casos, a segunda maior marca em duas décadas.

Desafio tecnológico e necessidade de prevenção

Especialistas afirmam que a tecnologia tem sido utilizada por criminosos que se reinventam constantemente, o que dificulta o combate. Ao mesmo tempo, destacam a importância da produção de indicadores para auxiliar autoridades na identificação de crimes, resgate de vítimas e responsabilização dos agressores.


Organizações que atuam no combate à exploração sexual infantojuvenil defendem que a prevenção passa pelo diálogo entre pais e filhos e pelo cuidado com a exposição de imagens na internet. Especialistas alertam que redes sociais não são álbuns de família, mas espaços públicos, e que qualquer imagem publicada pode ser manipulada.



O alerta é que, diante do avanço da tecnologia e do aumento dos crimes digitais, a proteção de crianças e adolescentes exige atenção constante e ação conjunta de toda a sociedade.

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