Contrato do Banco Master com escritório da esposa de Moraes gera cálculo de R$ 5 mil por hora e pressiona por transparência

Reportagens estimaram valor total de até R$ 129,6 milhões e popularizaram a conta de “R$ 5 mil por hora”; escritório afirma que taxa não é cláusula e informa 94 reuniões e 36 pareceres no período do trabalho

11/03/2026 às 07:18 por Redação Plox

A controvérsia em torno do contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, voltou ao centro do debate político. Reportagens apontaram que o acordo poderia alcançar cerca de R$ 129 milhões, o que levou à disseminação de contas de equivalência para ilustrar o montante. Entre elas, ganhou destaque a estimativa de que o contrato corresponderia a aproximadamente “R$ 5 mil por hora”, usada como referência para dimensionar o volume financeiro envolvido e para questionar a compatibilidade do acerto com práticas de mercado e potenciais conflitos de interesse.

Viviane e Alexandre de Moraes

Viviane e Alexandre de Moraes

Foto: Divulgação


Como surge a conta de “R$ 5 mil por hora”

Desde dezembro de 2025, reportagens vêm detalhando um contrato do Banco Master com o escritório Barci de Moraes. As informações publicadas indicam pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por 36 meses, o que resultaria em um total aproximado de R$ 129,6 milhões até o início de 2027, conforme a coluna de Malu Gaspar, em O Globo, e repercussões em outros veículos.

A expressão “R$ 5 mil por hora” não aparece como cláusula contratual, mas como cálculo estimativo. A lógica descrita em análises jornalísticas é a seguinte: considerando um modelo de cobrança por horas de trabalho, o valor global divulgado exigiria um volume muito elevado de horas para ser justificado, o que levaria a uma taxa horária de referência nessa ordem. Esse raciocínio passou a ser usado para dimensionar o contrato e pautar questionamentos públicos.

Em 09/03/2026, o escritório e Viviane Barci divulgaram nota com detalhes sobre a prestação de serviços. O comunicado informa um período de atuação entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com registro de 94 reuniões e 36 pareceres, além do envolvimento de uma equipe de advogados. Esses dados passaram a compor o debate sobre a relação entre o valor total do contrato e o volume efetivo de trabalho entregue.

Reações oficiais e disputa de narrativas

Segundo a Agência Brasil, a CPI do Crime Organizado aprovou convites para ouvir o ministro Alexandre de Moraes, o ministro Dias Toffoli e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no contexto das apurações e repercussões políticas relacionadas ao caso Master. A mesma reportagem registra que Moraes e Galípolo negaram que encontros tenham tratado de eventual liquidação do banco, afirmando que as reuniões teriam sido dedicadas à Lei Magnitsky.

Na nota divulgada em 09/03/2026 e repercutida pelo R7, o escritório de Viviane Barci afirma que houve contratação formal para consultoria jurídica, descrevendo as entregas realizadas em reuniões e pareceres. A publicação também menciona a posição do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, que classificou como “ilação mentirosa” a tentativa de relacionar o contrato a ataques ao Supremo Tribunal Federal.

Pressão política e questionamentos sobre ética e governança

No Congresso, o caso alimenta pedidos de esclarecimentos e movimentos por convocações e convites em comissões e CPIs. A cifra estimada e a conta de “R$ 5 mil por hora” passaram a ser usadas como símbolo da dimensão financeira do contrato, ampliando a cobrança por transparência nas relações entre agentes privados e figuras com influência institucional.

No Judiciário e na opinião pública, a discussão não se restringe ao valor total. A equivalência de “valor por hora” reforça debates sobre ética, governança e potenciais conflitos de interesse, mesmo sem comprovação pública, até o momento, de irregularidade no contrato em si. Esse ponto segue em disputa política e narrativa, especialmente pelo peso institucional do Supremo Tribunal Federal e pelo fato de o escritório beneficiado ser ligado à esposa de um ministro da Corte.

No setor jurídico e financeiro, o caso reacende discussões sobre parâmetros de honorários, formatos de contratação — como mensalidade, pacotes, remuneração de êxito e hora técnica — e sobre como contratos de consultoria são documentados, auditados e justificados perante clientes, reguladores e sociedade.

O que pode acontecer a seguir

A tendência é que a controvérsia avance em duas frentes principais. No campo político e parlamentar, a expectativa recai sobre os desdobramentos na CPI do Crime Organizado: definição de datas de oitivas, apresentação de novos requerimentos e busca por documentos relativos ao caso.

Em paralelo, cresce a pressão por maior transparência e documentação sobre o contrato. Novas notas públicas, eventuais disponibilizações de cláusulas e detalhamento de escopo e entregas podem ser decisivos para sustentar — ou contestar — a proporcionalidade entre o valor total e os serviços prestados.

Até agora, a equivalência de “R$ 5 mil por hora” segue descrita em análises jornalísticas como um cálculo aproximado construído a partir do montante global divulgado, e não como confirmação de que o contrato tenha sido formalizado em um modelo de cobrança direta por hora.

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