Nasa alerta sobre 15 mil asteroides ‘destruidores de cidades’ na órbita da Terra; entenda o contexto

Estimativa que voltou a circular nesta terça (11/03/2026) se refere a NEOs de porte intermediário ainda não detectados; agência diz que não há aviso de impacto iminente e aposta em novas tecnologias para ampliar o monitoramento

11/03/2026 às 14:09 por Redação Plox

Um alerta atribuído à Nasa sobre a existência de “15 mil asteroides destruidores de cidades” voltou a circular nesta terça-feira (11/03/2026) e gerou preocupação nas redes sociais. A formulação, porém, é imprecisa e exige contexto: não se trata de 15 mil rochas na órbita da Terra prestes a atingir o planeta, mas de uma estimativa de objetos próximos à Terra (NEOs) de porte intermediário, ainda não detectados, que são difíceis de observar com a tecnologia atual e que, em caso de impacto, poderiam causar destruição em escala regional.

Reprodução / Freepik

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Como surgiu o alerta sobre “destruidores de cidades”

Reportagens publicadas no Brasil nesta terça (11) repercutem declarações ligadas à área de defesa planetária sobre a possível existência de milhares de asteroides com tamanho suficiente para causar danos severos em escala local ou regional, apelidados de “city-killers”. Muitos deles ainda não foram catalogados.

Entre os fatores apontados para essa lacuna está a dificuldade de observação de parte desses objetos quando eles aparecem próximos ao brilho do Sol, do ponto de vista da Terra. Nessa configuração, telescópios que dependem de luz refletida têm a capacidade de detecção reduzida, abrindo um “ponto cego” no monitoramento.

O termo “destruidor de cidades” não é uma classificação oficial única, mas é usado na divulgação científica para se referir a asteroides que vão de dezenas a poucas centenas de metros de diâmetro. São grandes o bastante para devastar uma área urbana ou uma região, mas menores que os chamados “matadores de planeta”.

Como a Nasa monitora objetos próximos à Terra

A Nasa mantém estruturas específicas para localizar, rastrear e caracterizar objetos próximos à Terra. O Near-Earth Object Observations Program opera sob uma diretriz do Congresso dos Estados Unidos que estabelece a meta de encontrar e acompanhar ao menos 90% dos NEOs com 140 metros ou mais, faixa de tamanho frequentemente associada a risco de dano regional significativo.

Na parte de monitoramento e cálculo de trajetórias, o CNEOS (Center for Near-Earth Object Studies), ligado ao JPL/Nasa, é o responsável por computar órbitas com alta precisão e operar o sistema Sentry, dedicado ao acompanhamento do risco de impacto.

Para reduzir o “ponto cego” causado por objetos que passam em regiões do céu próximas ao Sol, a agência aposta no NEO Surveyor, um telescópio espacial infravermelho projetado especificamente para caçar NEOs. A missão é descrita pela Nasa como planejada para lançamento no fim de 2027, com início de operação voltado a “ficar de vigia” para asteroides próximos à Terra e ampliar a capacidade de detecção antecipada.

O que a estimativa de 15 mil asteroides realmente significa

Apesar da repercussão, a estimativa de “até 15 mil asteroides destruidores de cidades” não configura um aviso de impacto iminente. Ela se refere a uma população de objetos possivelmente existentes e ainda não detectados ou categorizados, não a uma lista de ameaças confirmadas com data e local definidos.

O risco associado a esses corpos é essencialmente estatístico e de longo prazo. A principal medida de proteção é aumentar a capacidade de encontrá-los com antecedência de anos ou décadas, o que abre espaço para planejamento, eventuais evacuações e, em alguns cenários, tentativas de desvio.

Para o público em geral, a orientação prática é evitar o alarmismo e priorizar painéis e comunicados oficiais de estruturas como Nasa, JPL e CNEOS quando um objeto específico entra em observação pública. Isso é diferente de manchetes genéricas sobre “milhares de asteroides”, que tendem a simplificar ou distorcer o quadro real de risco.

Checagem de termos e próximos passos da vigilância espacial

Um ponto central na discussão é a precisão do enunciado. A frase “15 mil asteroides na órbita da Terra” simplifica em excesso o cenário. O mais correto é falar em objetos próximos à Terra (NEOs) e em estimativas de uma população ainda não catalogada por limitações tecnológicas e de cobertura de observação.

Entre os próximos passos, especialistas acompanham o cronograma do NEO Surveyor, considerado uma missão-chave para ampliar a detecção em infravermelho e reduzir o número de objetos que “se perdem” no brilho solar.

Se o tema continuar viralizando, a tendência é que novas explicações e atualizações sejam publicadas por órgãos oficiais ou veículos de comunicação, detalhando números, faixas de tamanho, critérios de “perigosidade” e, principalmente, a diferença entre objetos não detectados e ameaças efetivamente confirmadas.


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