Moraes mantém prisão domiciliar de Bolsonaro e amplia restrições após carta divulgada
Decisão também restringe a entrada na residência, após divulgação de carta atribuída ao ex-presidente nas redes sociais.
Durante um almoço reservado com advogados de direita realizado nesta quinta-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirmou sua posição em relação aos presos dos atos do 8 de janeiro. Para ele, não há espaço para negociações envolvendo modulação ou redução de penas. O que defende, de forma categórica, é uma anistia “ampla, geral e irrestrita”.
Foto: Youtube A declaração ocorreu no mesmo contexto em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem buscado articulações com o Executivo e o Supremo Tribunal Federal (STF) para revisar as penas dos envolvidos nos protestos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes.
A movimentação de Motta em torno da pauta da anistia tem envolvido diversas frentes. Ele discutiu o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua viagem ao Japão e já conversou com ministros do STF como Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Apesar dessas articulações, o parlamentar tem resistido às pressões para pautar o projeto na Câmara, o que o colocou na mira de manifestantes no último domingo (6), durante ato liderado por Bolsonaro na Avenida Paulista.
Bolsonaro destacou que um momento importante da discussão sobre a anistia ocorreu com o voto do ministro Luiz Fux, durante o julgamento que o tornou réu no Supremo por suposta tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, Fux mencionou a possibilidade de modulação das penas. Para o ex-presidente, essa fala foi uma “fissura” em um posicionamento que antes parecia intransponível. Ele exaltou ainda o discurso de Michelle Bolsonaro durante o ato em São Paulo, no qual ela criticou a atuação do STF e apelou diretamente a Fux para que não deixasse “mães” presas injustamente.
A questão segue como um dos principais embates políticos em curso, envolvendo articulações entre Judiciário, Legislativo e figuras influentes do espectro conservador nacional.