Censo 2024: cotistas têm maior taxa de conclusão em federais, aponta Inep

Levantamento mostra que 49% dos estudantes que entraram por reserva de vagas concluíram a graduação, contra 42% entre os demais ingressantes.

11/04/2026 às 12:51 por Redação Plox

Dados do Censo da Educação Superior 2024, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que 49% dos estudantes que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais e em instituições da rede federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica concluíram a graduação. Entre os demais ingressantes, o índice foi de 42%.

O levantamento também indica que a maior parte dos estudantes que entram no ensino superior por ações afirmativas concluem os cursos e são diplomados. O desempenho desses alunos reforça o alcance das políticas de ampliação do acesso à educação superior articuladas pelo Ministério da Educação (MEC).


Levantamento indica que a maior parte dos estudantes entra no ensino superior por ações afirmativas.

Foto: Reprodução / Agência Brasil


Mais de 1,4 milhão ingressou por reserva de vagas em instituições federais

De acordo com o Censo, entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de políticas de reserva de vagas, ampliando a presença — especialmente nas universidades federais — de grupos historicamente excluídos desses espaços.

Somente em 2024, foram 133.078 estudantes. A maior parte das matrículas ocorreu em universidades, que registraram 110.196 alunos cotistas, enquanto 22.587 foram contabilizados em instituições da rede federal.

Sisu, Prouni e Fies somam cerca de 2 milhões de ingressantes cotistas

Nos processos seletivos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram em cursos de graduação desde a adoção desses mecanismos.

A implementação da modalidade no Sisu ocorreu com a criação da Lei de Cotas. Regras específicas também foram estabelecidas para o Prouni e, mais recentemente, para o Fies.

Com o Sisu, mais de 790,1 mil estudantes conseguiram ingressar em universidades públicas por meio da Lei de Cotas. Somente de 2023 a 2026, esse total chegou a 307.545 estudantes.

O Prouni foi pioneiro na implementação de ações afirmativas e, desde a primeira edição, em 2005, até o ano passado, beneficiou mais de 1,1 milhão de autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

Em 2024, o Fies também passou a ofertar vagas para cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

Atualizações na Lei de Cotas reforçaram critérios e ampliaram público

A Lei de Cotas, obrigatória para as instituições federais, foi atualizada em 2023 e aprimorada com a criação de cota específica para quilombolas. Outra mudança ampliou oportunidades para a população de menor renda, ao reduzir de 1,5 para um salário mínimo o limite da renda mínima per capta para quem opta por cotas que exigem comprovação do critério econômico.

O texto também preservou o critério de origem escolar, com a exigência de que os três anos do ensino médio tenham sido cursados em escola pública para todos os tipos de cotas. Segundo a matéria, a medida valoriza a escola pública e busca refletir, no ensino superior, a diversidade existente nas redes públicas de educação básica.

No critério de origem escolar, a nova legislação incluiu ainda as escolas comunitárias que atuam em educação do campo, conveniadas com o poder público.

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