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O ex-presidente Michel Temer (MDB) confirmou, nessa sexta-feira, que participou de uma reunião em Brasília com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, sem que Temer informasse a data do encontro.
Segundo o ex-presidente, a reunião ocorreu “bem antes da liquidação” e ele participou como advogado contratado para prestar “consultoria e mediação” à instituição de Vorcaro.
O ex-presidente Michel Temer disse não poder detalhar o conteúdo do encontro em Brasília por razões de confidencialidade profissional
Foto: crédito: Carolina Antunes/PR
Na entrevista, Temer afirmou que recebeu honorários do Grupo Master “para fazer essa intermediação e assessoria jurídica” e que foi a Brasília para o encontro com Ibaneis e Paulo Henrique Costa. Ele acrescentou que “Vorcaro apareceu depois (na reunião)”.
Não recebi dinheiro, recebi honorários.
Michel Temer
Ao tratar do conteúdo da conversa, o ex-presidente disse não poder entrar em detalhes. “Há confidencialidade nessa matéria”, justificou.
O teor da entrevista de Temer colide, em parte, com declarações anteriores de Ibaneis. O ex-governador já admitiu ter estado com Vorcaro em “algumas oportunidades” — incluindo encontros na casa do próprio Ibaneis e na mansão de Vorcaro em Brasília —, mas negou conversas específicas sobre negociações para que o BRB adquirisse parte do capital do banco do empresário, investigado por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Em janeiro, ao Correio, Ibaneis afirmou:
“Nunca tratei de nada relacionado ao BRB com o Vorcaro. Todas as tratativas foram feitas pelo Paulo Henrique (Costa)”.
Ibaneis
A reportagem informa que entrou em contato com Ibaneis para comentar a entrevista de Temer, e ele respondeu que não tinha mais nada a declarar sobre o assunto.
Nesta semana, segundo a reportagem, a imprensa teve acesso a declarações do Imposto de Renda do Master encaminhadas pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, no Senado. Os documentos indicam pagamentos milionários a quase 100 escritórios de advocacia em 2025, incluindo o do ex-presidente, que recebeu cerca de R$ 10 milhões, e o da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que recebeu R$ 40,1 milhões — o maior montante pago no ano passado.
Também aparecem na relação os escritórios do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski (R$ 2,3 milhões) e do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda (R$ 1 milhão). No total, as bancas contratadas pelo Master receberam R$ 304,5 milhões, de acordo com as informações declaradas à Receita Federal.
Os encontros entre Ibaneis e Vorcaro, por sua vez, foram detalhados pelo próprio banqueiro em depoimento ao STF, em dezembro de 2025.
A CPI do Crime Organizado, no Senado, tentou por duas vezes ouvir Ibaneis, mas ele não compareceu. Na primeira tentativa, em fevereiro, o ex-governador havia sido convidado. Na última terça-feira, ele deveria ter ido ao Congresso como convocado, mas um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do STF, reconheceu o direito de não produzir provas contra si mesmo e o dispensou da obrigatoriedade de responder aos parlamentares.
Para o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), decisões como a de André Mendonça esvaziam o papel investigativo das comissões de inquérito. Ele afirmou que lamenta a reiteração de decisões do STF que, segundo ele, enfraquecem CPIs e disse que a comissão tocou em um ponto sensível.
Com o pedido de prorrogação negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a CPI deve encerrar os trabalhos na próxima terça-feira. Está prevista a oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, convocado como testemunha, seguida da votação do parecer final de Vieira.
A comissão foi instalada em novembro de 2025 para apurar a atuação e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil. As fraudes do Banco Master passaram a integrar o foco da investigação parlamentar diante da suspeita de que empresas ligadas ao grupo econômico de Daniel Vorcaro poderiam participar de um esquema de lavagem de dinheiro a serviço do crime organizado.