Filme baseado em livro de Daniela Arbex aborda abusos em hospital psiquiátrico

'Ninguém Sai Vivo Daqui', dirigido por André Ristum, estreia hoje com uma trama de terror sobrenatural inspirada em eventos reais

Por Plox

11/07/2024 07h44 - Atualizado há 11 dias

O aguardado filme "Ninguém Sai Vivo Daqui", dirigido por André Ristum, estreia hoje nos cinemas, trazendo uma história de terror sobrenatural inspirada em eventos reais. O longa é baseado no livro "Holocausto Brasileiro", da premiada jornalista mineira Daniela Arbex, e retrata a trajetória de uma jovem internada em um hospital psiquiátrico sem qualquer diagnóstico médico, apenas para esconder uma gravidez indesejada.

 

Foto: EMBAÚBA/DIVULGAÇÃO
 

Revelação pessoal e inspiração

A personagem principal, interpretada por Fernanda Marques, é internada no Hospital Psiquiátrico Colônia, em Barbacena, por seu próprio pai. Ristum revelou que o enredo tocou pessoalmente sua história, pois sua mãe foi forçada a abortar antes de casar. "Talvez essa história tenha me impactado mais por ter a ver com a minha história pessoal", confessa o diretor. Marques interpreta uma jovem que, sem problemas psiquiátricos, é forçada a conviver com pacientes doentes e outros marginalizados.

Realidade chocante de Barbacena

Ristum ficou chocado ao descobrir que mais de 70% dos internados no Colônia não tinham diagnóstico psiquiátrico. "O tratamento violento, abusivo, com internos psiquiátricos era uma prática comum, mesmo para pessoas sem diagnóstico. Isso é um abuso, e foi particularmente chocante perceber que geralmente era a própria família que fazia isso", afirma o diretor.

Adaptação e abordagem ficcional

Apesar de ser inspirado no livro "Holocausto Brasileiro", o filme não segue rigorosamente os eventos narrados por Arbex. "Na verdade, não dá nem para chamar de adaptação, porque eu teria que falar de pessoas que existiram de fato. O que foi combinado com a própria Daniela é que seria livremente inspirado. O livro nos deu o começo, o pontapé inicial para contar essa história", explica Ristum.

Arquetipos ficcionais

O filme traz arquétipos desenvolvidos ficcionalmente que refletem situações reais descritas no livro. A personagem de Andréia Horta, por exemplo, é uma mulher enviada ao hospital por um prefeito que a visita frequentemente para manter relações sexuais. Já Rejane Faria interpreta uma senhora que não vê seu filho há 30 anos, retirado de seus braços logo após o nascimento e entregue a outra família.

Fotografia e escolha estética

Ristum optou por uma fotografia em preto e branco para o filme, uma escolha ousada que, segundo ele, reforça o clima de suspense e terror da obra. "Foi uma decisão conceitual. O preto e branco tinha uma razão de ser, porque não havia brilho nem cor na vida daquelas pessoas", justifica o diretor.

Elementos sobrenaturais e novos projetos

À medida que a narrativa avança, elementos sobrenaturais ganham destaque, uma escolha deliberada de Ristum para explorar o gênero do terror. "Quando fiz 'A Voz do Silêncio', percebi que poderia entrar no suspense e no terror a partir do terror real", destaca o cineasta.

Carma histórico e performance excepcional

Durante as filmagens, Rejane Faria descobriu que sua avó havia sido internada no Colônia, o que intensificou sua conexão com o personagem. "Ela teve uma performance muito fora da curva, parecia realmente tomada pelo personagem", relata Ristum.

Continuidade e novos projetos

Independente do sucesso de "Ninguém Sai Vivo Daqui", Ristum já se prepara para a segunda temporada da série "Colônia", que continuará a história da jovem grávida. Além disso, o diretor está finalizando uma série protagonizada por um vampiro, onde o "terror real" dará lugar à comédia.

"Ninguém Sai Vivo Daqui" promete impactar o público ao trazer à tona uma história de injustiça e abuso, transformada em um suspense sobrenatural que resgata memórias dolorosas de um passado sombrio.

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