IML de Guarulhos na mira de investigação por fotos de cadáveres compartilhadas

Auxiliar recebia pagamento para permitir acesso de alunos aos corpos; mulheres que aparecem nas fotos serão ouvidas pela polícia

Por Plox

11/07/2024 08h26 - Atualizado há 4 dias

Um auxiliar de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) de Guarulhos, na Grande São Paulo, está sendo investigado por compartilhar fotos de cadáveres em grupos de mensagens. Eron Marcelo Reis, o funcionário em questão, também recebia R$ 100 de uma escola de necropsia para permitir que alunos tivessem contato com os corpos durante estágios.

Foto: Reprodução

Investigação e depoimentos

A Polícia Civil abriu uma investigação em novembro de 2023, após uma denúncia ao Ministério Público Estadual. O caso envolve fotos e vídeos de cadáveres que foram divulgados em grupos de mensagens, e que mostravam rostos e partes íntimas dos corpos. As imagens foram supostamente compartilhadas para fins educacionais, mas o comportamento de Eron foi identificado como vilipêndio a cadáver.

Imagens em grupos de mensagens

Nos grupos de mensagens, as fotos e vídeos de corpos eram compartilhados entre alunos e outros participantes. Eron foi identificado por meio de tatuagens visíveis nas imagens e por áudios enviados. Ele admitiu que postava as fotos e vídeos, alegando que tomava cuidado para não mostrar rostos e que as imagens eram destinadas apenas a estudos em um grupo fechado.

Escola de necropsia envolvida

A investigação revelou que Eron recebia R$ 100 da escola Impera Cursos e Concursos para permitir que os alunos tivessem acesso aos corpos. A instituição ainda não se pronunciou sobre o caso. A prefeitura de Guarulhos afirmou que Eron não é funcionário do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), mas sim do IML, que é administrado pelo governo estadual.

Posicionamento da Secretaria da Segurança Pública

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) declarou que o caso está sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil. A SSP enfatizou que a conduta de Eron não está de acordo com as práticas da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), que orienta seus agentes a agirem de acordo com a lei e com respeito às vítimas.

Declaração de Eron Marcelo Reis

Eron Marcelo Reis, em sua defesa ao g1, afirmou: "O propósito primordial deste grupo era estritamente educacional, destinado ao aprendizado sobre anatomia e medicina legal, temas essenciais para a preparação de concursos públicos. Esse grupo existiu por um breve período de tempo com o objetivo de auxiliar os alunos em seus estudos, em conformidade com as diretrizes da parceria estabelecida legalmente com a escola SUS/SVO. Em nenhum momento foram solicitados ou cobrados valores dos alunos. O valor mencionado de R$ 100,00 refere-se ao pagamento efetuado pela escola ao professor para que este atuasse como responsável técnico, conforme exigido pela referida parceria. Fui surpreendido com as alegações de investigação, uma vez que minha intenção sempre foi proporcionar um ambiente de aprendizado seguro e ético, sem qualquer intenção de prejudicar qualquer pessoa. Desde o início, houve preocupação em proteger a identidade dos envolvidos, garantindo que nenhum rosto fosse identificado nas fotografias compartilhadas. Estou colaborando integralmente com as autoridades competentes para esclarecer qualquer mal-entendido e estou à disposição para fornecer todos os demais esclarecimentos necessários."

A polícia continua a investigação para identificar todas as pessoas envolvidas e esclarecer os detalhes das atividades no IML de Guarulhos.

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