Gêmeas siamesas passam por segunda etapa de separação em cirurgia inovadora

Heloísa e Helena, de São José dos Campos, foram submetidas a procedimento de 10 horas com tecnologia avançada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto; nova fase será em 2026.

11/11/2025 às 12:42 por Redação Plox

As gêmeas Heloísa e Helena, que nasceram unidas pela cabeça, apresentaram boa evolução após passarem, no último sábado (8), pela segunda etapa da cirurgia de separação realizada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). O procedimento durou 10 horas e envolveu uma equipe multiprofissional.

Estão agendadas mais três cirurgias antes da separação definitiva das siamesas

Estão agendadas mais três cirurgias antes da separação definitiva das siamesas

Foto: Divulgação / Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.


Planejamento avançado e recursos tecnológicos

O processo de separação foi preparado durante um ano, utilizando modelos tridimensionais e realidade aumentada para mapear com precisão as áreas envolvidas. As gêmeas, naturais de São José dos Campos (SP), têm um ano e dez meses, e a intervenção faz parte de um protocolo com cinco etapas espaçadas ao longo de vários meses.


A primeira etapa da cirurgia aconteceu em agosto e teve duração aproximada de oito horas. Segundo a equipe médica, a técnica desenvolvida nos últimos anos pelos profissionais da USP é referência nacional na abordagem desse tipo de caso.

Recuperação e próximas fases da cirurgia

A segunda etapa, concluída neste fim de semana, envolveu a separação dos cérebros e a ligação das incisões cutâneas iniciadas em agosto. De acordo com informações do Hospital das Clínicas, Heloísa e Helena estão se recuperando bem e devem receber alta para permanecer em quarto ainda nesta semana.


A próxima etapa da cirurgia está prevista para o fim de fevereiro de 2026. O cronograma médico ainda inclui mais duas fases, previstas para fevereiro e março, além da finalização completa do procedimento, projetada para meados de 2026.

Técnica cirúrgica cuidadosa

No procedimento, as quatro primeiras etapas focam na separação gradual dos tecidos, vasos sanguíneos e estruturas que unem os crânios e cérebros das irmãs. O planejamento detalhado busca garantir que o cérebro das crianças se adapte aos poucos, minimizando riscos.

Foi feita mais uma etapa de separação dos cérebros e nós conseguimos completar as incisões cutâneas, unindo com os cortes iniciais que fizemos em agosto - Médico Jayme Farina Junior. 

Durante a quarta etapa, estão previstos o uso de enxertos ósseos e expansores de pele, essenciais para preparar o fechamento dos tecidos na etapa final de cirurgia plástica.

Formação óssea favorece a cirurgia

Outro fator que tem colaborado para o sucesso do procedimento é o formato dos crânios das gêmeas. Segundo a equipe, a redução do diâmetro lateral tem possibilitado um mapeamento mais eficiente das zonas cirúrgicas, facilitando a navegação e a identificação dos pontos de separação entre os vasos e os tecidos cerebrais.

Experiência do hospital com casos raros

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é referência em cirurgias de separação de gêmeos siameses. O caso de Heloísa e Helena é o terceiro registrado na instituição. Em 2018, as irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará, passaram por procedimento semelhante após dois anos de acompanhamento médico.


Já em 2023, a equipe realizou a separação das gêmeas Alana e Mariah, nascidas em Ribeirão Preto, em uma cirurgia que teve duração de 25 horas. A sequência de casos reforça a importância do hospital no avanço desse tipo de cirurgia complexa no país.

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