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O tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, conhecido como “kid preto”, foi uma das figuras mais observadas na sessão de abertura do julgamento do chamado “núcleo 3” da tentativa de golpe de Estado, realizada nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Rodrigo Bezerra, liberado para participar de todas as sessões, deve apenas acompanhar a defesa de seu advogado na tarde desta terça-feira (11/11)
Foto: STF
Preso há quase um ano em uma unidade do Exército em Brasília, Bezerra recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para acompanhar pessoalmente, sob escolta discreta, os debates do processo. A autorização veda a concessão de entrevistas pelo militar durante sua passagem pelo tribunal.
Ao lado do advogado Jeffrey Chiquini, Rodrigo Bezerra prestou atenção à argumentação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu sua condenação por envolvimento em um plano que previa o assassinato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin e do próprio Moraes. Em meio à sustentação, o tenente-coronel fazia anotações em uma pasta rosa e ouvia comentários de seu defensor, alternando momentos de serenidade e pequenas interações com quem estava ao lado.
A autorização assinada por Moraes, em 5 de novembro, permitiu ao militar deixar o Batalhão da Polícia do Exército e seguir ao STF exclusivamente durante as sessões de julgamento. Uma das condições foi a adoção de escolta sem ostensividade nas armas, respeitando o princípio da ampla defesa. Outro réu do núcleo, o também militar Bernardo Romão Corrêa Netto, obteve autorização semelhante, mas não compareceu na primeira sessão.
Questionado pela reportagem, Bezerra afirmou estar confiante em sua defesa, deixando de comentar o relatório do procurador-geral. Ele declarou que, apesar de poder frequentar todas as sessões, compareceria somente à sustentação oral do advogado, prevista para a tarde desta terça-feira.
Rodrigo Bezerra está preso desde novembro de 2024 e chegou a perder o direito a visitas após uma tentativa frustrada de sua irmã de entrar na unidade militar com dispositivos eletrônicos escondidos em um panetone. Posteriormente, o STF reviu a restrição, mantendo apenas a proibição de visitas por parte da familiar envolvida no episódio.
O tenente-coronel é acusado de integrar o “núcleo tático” do plano golpista, formado por militares das Forças Especiais do Exército. A Procuradoria-Geral da República afirma que ele teria participado da chamada “Operação Copa 2022”, codinome para as articulações do golpe, monitorado ministros do STF e coordenado ações destinadas à eliminação de autoridades.
O ministro Alexandre de Moraes já rejeitou pedidos da defesa e manteve a prisão preventiva, apontando risco concreto à ordem pública e ameaça à instrução processual penal. As acusações incluem organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.