Mulher trans morre dias após ser brutalmente agredida em BH

Alice Martins Alves, de 33 anos, não resistiu aos ferimentos após ataque brutal com suspeita de transfobia na Savassi; família cobra justiça.

11/11/2025 às 16:28 por Redação Plox

A morte de Alice Martins Alves, de 33 anos, chocou Belo Horizonte no último domingo (9). Ela ficou internada por quase três semanas após ser brutalmente agredida ao sair de um bar na região da Savassi, Zona Centro-Sul da capital. O caso traz à tona temas sensíveis como transfobia e violência letal contra pessoas trans.

Violência na saída de um bar

Na madrugada de 23 de outubro, Alice deixava um bar em direção à Avenida Getúlio Vargas quando foi atacada por um homem desconhecido, segundo relatos do boletim de ocorrência. Outros dois homens estariam presentes e teriam rido durante o ataque. Câmeras de segurança do local devem ser analisadas na tentativa de identificar os envolvidos.

Consequências graves e atendimento médico

A agressão deixou Alice com fraturas nas costelas, desvio de septo nasal e uma perfuração no intestino. Inicialmente, ela foi socorrida por testemunhas e recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, de onde foi liberada após tomar analgésicos e anti-inflamatórios.

Três dias depois, sentindo-se pior, Alice buscou auxílio em um hospital particular, onde foi medicada novamente e teve recomendação para cirurgia no nariz. O seu estado de saúde evoluiu negativamente nos dias seguintes, obrigando-a a uma internação prolongada. Durante o período, Alice perdeu peso rapidamente, desenvolveu úlcera no estômago e acabou falecendo vítima de choque séptico.

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Foto: Reprodução

Depoimento do pai

Ela não queria me ligar porque eu estava fazendo uns tratamentos de pressão alta. Aí no outro dia fui ver se Alice já tinha chegado. Ela estava com nariz sangrando, boca arrebentada, morrendo de dor. Eu falei: filha porque você não me chamou?! Aí de lá pra cá foi só sofrimento. Ela foi decaindo, a saúde dela piorando e eu correndo atrás de médico daqui e dali, mesmo com dificuldade de se locomover e acabou que veio a óbito 

O corpo de Alice foi velado nesta segunda-feira (10), no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte. No velório, o pai expressou indignação e dor diante da violência sofrida pela filha. O caso ganhou destaque por levantar suspeitas de motivação transfóbica na agressão.

Investigação aponta crime com suspeita de transfobia

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que a investigação é tratada como feminicídio e segue sob responsabilidade do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios (Neif), do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a corporação declarou que outras informações serão divulgadas posteriormente e que as diligências continuam para identificar todos os envolvidos.

A morte de Alice reacende o debate sobre a violência enfrentada pela população trans no Brasil, destacando a urgência de ações para combater a transfobia e proteger direitos fundamentais.

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