Emprego formal é eixo de acolhimento a venezuelanos no Brasil, diz Luiz Marinho

Ministro do Trabalho destaca qualificação profissional e apoio institucional como pilares da integração de imigrantes em meio ao avanço do fluxo venezuelano e às novas incertezas políticas na região

12/01/2026 às 09:45 por Redação Plox

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu que o emprego é hoje o principal instrumento de acolhimento dos venezuelanos que chegam ao Brasil. Segundo ele, além da inserção no mercado formal, imigrantes em situação de vulnerabilidade têm acesso a serviços de orientação e qualificação profissional.

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência BrasilMais recentePróximaMarinho diz ser possível aprovar Este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/01/07/cenario-de-migracao-de-venezuelanos-para-o-brasil-nao-deve-mudar-apos-sequestro-de-maduro-diz-marinho.ghtml ou as ferramentas oferecidas na página.Textos, fotos, artes e vídeos do Valor estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do Valor ([email protected]). Essas regras têm como objetivo proteger o investimento que o Valor faz na qualidade de seu jornalismo.


Trabalho como eixo da integração

Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, Marinho destacou que muitos venezuelanos chegam ao país com formação e experiência e conseguem se inserir em vagas formais. Ele afirmou que, quando há dificuldades sociais adicionais, há ações específicas voltadas à empregabilidade e à inclusão produtiva.

A estratégia do governo tem se apoiado na combinação entre oferta de trabalho, cursos de qualificação e apoio institucional para facilitar a permanência dessas famílias no país.

Crescimento acelerado da comunidade venezuelana

Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que a presença venezuelana no Brasil se expandiu de forma intensa nas últimas décadas. Em 2010, eram cerca de 2.869 residentes do país vizinho. Em 2022, o número saltou para 271,5 mil, fazendo dos venezuelanos o maior grupo estrangeiro no território brasileiro, superando portugueses e outras nacionalidades registradas pelo levantamento.

A concentração é maior nas regiões Norte e Nordeste, com Roraima assumindo papel central por ser um dos principais pontos de entrada na fronteira com a Venezuela. Segundo o IBGE, quase toda a imigração internacional que chegou ao estado entre 2017 e 2022 foi de venezuelanos, consolidando a unidade federativa como porta de entrada de quem busca melhores condições de vida.

Crise na Venezuela e pressão migratória

A saída de venezuelanos do país ocorre em meio a uma crise política, econômica e institucional prolongada, que vem empurrando milhões de pessoas para nações vizinhas, entre elas o Brasil. Em janeiro de 2026, a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças dos Estados Unidos em Caracas ganhou repercussão internacional e reacendeu incertezas sobre o futuro político e econômico da Venezuela.

A operação, realizada na madrugada de 3 de janeiro de 2026, intensificou debates sobre os próximos passos do país vizinho e seus possíveis reflexos na região. Para especialistas e autoridades, episódios como esse tendem a reforçar a pressão migratória e a necessidade de políticas estruturadas de acolhimento.

História de adaptação no Brasil

Entre os venezuelanos que reconstruíram a vida no Brasil está Maria Elias, que deixou o país de origem em 2015, ao lado do marido e de dois filhos, após o agravamento da crise econômica. Técnica de informática, ela morava no estado de Carabobo, onde a família mantinha uma loja e conseguia se sustentar até que o cenário se tornou insustentável.

A decisão de migrar foi tomada em meio à incerteza sobre o futuro. Em entrevista à Agência Brasil, Maria relatou como avaliou os riscos e as possibilidades ao cruzar a fronteira em direção ao Brasil.

Muitos venezuelanos chegam com boa qualificação e têm sido incorporados ao mercado de trabalhoLuiz Marinho

Já no Rio de Janeiro, um dos primeiros alívios para a família foi a rápida matrícula dos filhos em escolas públicas, garantindo continuidade aos estudos. A adaptação, no entanto, não foi imediata: além da barreira do idioma e das diferenças culturais, a inserção no mercado de trabalho representou um dos maiores desafios.

Da informática à cozinha como sustento

Sem retorno rápido à área de formação, Maria e o marido recorreram à culinária para garantir renda, aproveitando a herança familiar. Eles passaram a produzir pratos típicos, inicialmente com foco em comida libanesa, como estratégia para se diferenciar em um mercado competitivo.

O primeiro impulso veio de uma lanchonete próxima à casa da família, cujos proprietários se tornaram clientes e apoiadores. Com o tempo, as encomendas aumentaram, e, em 2016, o casal passou a ser contratado para jantares em residências. Cerca de um ano depois, o cardápio foi ampliado para incluir culinária árabe e mediterrânea, acompanhando o crescimento da demanda por eventos e refeições especiais.

Mesmo estabilizada no Brasil, Maria mantém laços com a Venezuela e segue acompanhando a crise política e econômica no país de origem. A captura de Nicolás Maduro é vista por ela como um possível sinal de mudança, embora o cenário siga cercado de dúvidas e versões conflitantes sobre o que está por vir.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a