Milei descarta diálogo com Lula sobre Venezuela e apoia Flávio Bolsonaro para 2027

Presidente argentino reforça alinhamento aos EUA, critica herança socialista do governo brasileiro e projeta nova convergência política no Mercosul em meio a mudança diplomática na Venezuela

12/01/2026 às 10:52 por Redação Plox

O presidente da Argentina, Javier Milei, elevou o tom contra o governo brasileiro ao descartar qualquer possibilidade de diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise política na Venezuela. Segundo ele, não há razões para uma interlocução com o Planalto nesse tema, reforçando o distanciamento entre os dois líderes.

Javier Milei e Flavio Bolsonaro

Javier Milei e Flavio Bolsonaro

Foto: || Reprodução: Internet


Defensor de uma linha de confronto direto contra o regime venezuelano, Milei voltou a alinhar seu discurso ao dos Estados Unidos e a atacar o que classifica como propostas marcadas pela herança do socialismo no atual governo brasileiro. Ao mesmo tempo, indicou preferência explícita pela vitória do senador Flávio Bolsonaro na próxima eleição presidencial no Brasil, aproximando-se politicamente do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Milei se afasta de Lula e reforça alinhamento com Washington

As declarações do líder argentino ocorrem em meio a um cenário de mudanças profundas na região, após a captura de Nicolás Maduro em uma operação coordenada pelos Estados Unidos. Enquanto o governo Lula mantém uma postura diplomática contrária a intervenções militares estrangeiras, Milei apoia integralmente as ações de Washington e projeta uma solução para a crise venezuelana com a família Bolsonaro novamente no poder no Brasil.

Mesmo com o choque ideológico, o presidente argentino tem ressaltado que as divergências políticas não devem interromper o fluxo de comércio entre as duas maiores economias da América do Sul, destacando a importância das relações econômicas bilaterais.

Apoio público a Flávio Bolsonaro e planos para 2027

O senador Flávio Bolsonaro recebeu com entusiasmo o apoio vindo de Buenos Aires e usou as redes sociais para sublinhar a sintonia com Milei em torno da defesa da liberdade econômica. Na avaliação do parlamentar, a partir de 2027, uma eventual convergência política entre Brasil e Argentina poderia abrir espaço para uma parceria comercial mais agressiva, com foco na redução de barreiras e na reestruturação do Mercosul.

Esse movimento se desenha em paralelo à aprovação histórica do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que prevê a eliminação de tarifas sobre a maior parte dos produtos negociados entre os dois blocos. Para aliados de Milei e de Flávio Bolsonaro, um eixo mais liberal entre Brasília e Buenos Aires poderia acelerar mudanças na agenda econômica regional.

Itamaraty deixa de representar Argentina na Venezuela

No campo diplomático, a tensão entre os dois governos ganhou novos contornos com a decisão do Itamaraty de encerrar a representação dos interesses argentinos na Venezuela. A custódia da embaixada da Argentina em Caracas, que vinha sendo exercida pelo Brasil desde o rompimento das relações entre Milei e o regime chavista, será transferida para a Itália.

A mudança foi interpretada como um sinal de esfriamento nas relações de cooperação direta entre os ministérios das Relações Exteriores de Brasil e Argentina, refletindo a distância entre as estratégias adotadas pelos dois países diante da crise institucional venezuelana.

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