INSS reajusta aposentadorias acima do mínimo em 3,90% e eleva teto para R$ 8.475,55 em 2025
Reajuste baseado no INPC é menor que a inflação medida pelo IPCA, reduz poder de compra de beneficiários acima do piso e antecede novas regras de transição da aposentadoria a partir de 2026
12/01/2026 às 11:00por Redação Plox
12/01/2026 às 11:00
— por Redação Plox
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Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem acima de um salário mínimo terão reajuste de 3,90% nos benefícios, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usada como referência para a correção.
Com o novo índice, o teto pago pela Previdência Social sobe de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55, valor máximo que pode ser recebido mensalmente pelos segurados do INSS.
A atualização foi oficializada em portaria do governo federal publicada nesta segunda-feira (12) no Diário Oficial da União, que detalha os novos valores. Mesmo com o aumento, o reajuste ficará abaixo da inflação oficial, já que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 com alta de 4,26%.
Como o INPC é o indicador usado para atualizar benefícios acima do piso nacional, a diferença entre os dois índices indica perda de poder de compra para esse grupo de segurados. A correção de 3,9% será aplicada integralmente apenas a quem já recebia aposentadoria ou pensão em 1º de janeiro do ano passado.
Previdência Social, INSS, aposentadoria
Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Reajuste proporcional para novos benefícios
Segurados que passaram a receber o benefício a partir de fevereiro de 2025 terão aumento proporcional ao número de meses em que receberam o pagamento, já que não houve incidência de 12 meses completos de reajuste. Quanto mais recente a concessão, menor será o índice aplicado.
Veja os percentuais definidos para o reajuste, de acordo com o mês de início do benefício:
Para os segurados que recebem um salário mínimo, o reajuste é automático e acompanha a atualização do piso nacional. O novo valor, de R$ 1.621, passou a valer a partir da última quinta-feira (1º).
Desempenho do INPC em 2025
Em dezembro, o INPC registrou alta de 0,21%, resultado 0,18 ponto percentual acima de novembro (0,03%). Em dezembro de 2024, a taxa havia sido de 0,48%. No acumulado de 2025, o índice avançou 3,90%, abaixo dos 4,77% registrados em 2024.
Os produtos alimentícios saíram de queda de 0,06% em novembro para alta de 0,28% em dezembro. Já os itens não alimentícios variaram 0,19% no mês, ante 0,06% no período anterior.
Entre as regiões pesquisadas em dezembro, Porto Alegre teve a maior variação, de 0,57%, influenciada principalmente pelas altas da energia elétrica residencial (3,87%) e das carnes (2,04%). Curitiba apresentou a menor variação, com queda de 0,22%, associada aos recuos da energia elétrica residencial (-3,23%) e das frutas (-4,82%).
No acumulado do ano, os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63%, enquanto os não alimentícios tiveram alta de 4,32%. Em 2024, as variações haviam sido de 7,60% e 3,88%, respectivamente.
Considerando os índices regionais de 2025, a maior variação foi observada em Vitória, com 4,82%, puxada sobretudo pelas altas da energia elétrica residencial (17,65%) e do aluguel residencial (9,06%).
Principais grupos de despesas no INPC
Resumo dos resultados por grupo de produtos e serviços em 2025:
Alimentação e bebidas: 2,63%
Habitação: 6,78%
Artigos de residência: -0,20%
Vestuário: 4,58%
Transportes: 2,64%
Saúde e cuidados pessoais: 5,20%
Despesas pessoais: 5,63%
Educação: 5,99%
Comunicação: 0,48%
Como funciona o reajuste pelo INPC
O INPC é usado como índice de reajuste das aposentadorias desde 2003. Até 2006, não havia um indicador oficial único; antes disso, foram utilizados o IPC-r, o IGP-DI e índices definidos administrativamente.
Calculado pelo IBGE desde 1979, o índice reflete a variação de preços para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, com chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas, além de Goiânia, Campo Grande e Brasília.
O IPCA, por sua vez, é considerado a inflação oficial do país. Ele mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e cobre as mesmas áreas geográficas do INPC.
Regras de aposentadoria mudam em 2026
Para quem já contribuía ao INSS antes da reforma da Previdência, aprovada em novembro de 2019, o governo criou regras de transição, que preveem mudanças graduais nas condições de aposentadoria até 2031.
Em 2026, esse conjunto de regras passa por novos ajustes. As alterações atingem idade mínima e pontuação exigida para acesso ao benefício.
A idade mínima sobe seis meses em relação ao ano anterior: mulheres passam a precisar de, no mínimo, 59 anos e seis meses; para homens, a exigência será de 64 anos e seis meses. O tempo de contribuição permanece em 30 anos para mulheres e 35 anos para homens.
A chamada regra dos pontos, que soma idade e tempo de contribuição, também será ajustada. A pontuação mínima exigida será de 93 pontos para mulheres e 103 pontos para homens.