Zema reafirma pré-candidatura à Presidência em 2026 e nega ser vice de Flávio Bolsonaro
Em evento em Belo Horizonte, governador de Minas reforça projeto próprio ao Planalto, afasta articulações para vice na chapa de Flávio Bolsonaro e intensifica projeção nacional com críticas ao governo Lula e metáforas de “limpeza” política
12/01/2026 às 15:52por Redação Plox
12/01/2026 às 15:52
— por Redação Plox
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O governador Romeu Zema (Novo) reafirmou nesta segunda-feira (12/1) que mantém a pré-candidatura à Presidência da República e negou qualquer articulação para ser vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ele, a intenção é seguir na disputa até o fim.
Zema comentou o tema durante agenda com a Polícia Civil de Minas Gerais, em que anunciou investimentos de R$ 4,3 milhões para a corporação.
Romeu Zema, governador de Minas Gerais
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Questionado pela imprensa sobre a possibilidade de compor como vice, ele reforçou que seu nome continua colocado para o Palácio do Planalto.
Eu sou pré-candidato, como já aconteceu o lançamento no ano passado e continuo com a pré-candidatura e irei até o final.
Romeu Zema
Articulação na direita e pressão por chapa unificada
É a primeira vez que o governador fala publicamente sobre a hipótese de uma chapa conjunta com Flávio Bolsonaro, ventilada desde o ano passado em meio às movimentações da direita para 2026. De acordo com aliados da pré-campanha presidencial de Zema, a costura para aproximar os dois é liderada pelo senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, defensor de uma frente única para tentar impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outros partidos e lideranças que se colocam na oposição ao governo petista também têm aderido à ideia de unificar nomes do campo liberal-conservador em torno de uma chapa competitiva.
Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), já manifestou em entrevista ao jornal O Globo que considera Zema o nome ideal para compor uma candidatura presidencial de direita, especialmente por seu peso eleitoral no Sudeste. Ainda assim, pessoas próximas ao governador e à executiva do Novo afirmam que não houve até agora nenhum contato formal para tratar de uma eventual vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Espaço para aliança em segundo turno
Nos bastidores, a avaliação de interlocutores de Zema é que, mesmo descartando a vice no momento, o governador mantém aberta a possibilidade de apoiar uma composição no segundo turno, caso o cenário eleitoral caminhe nessa direção. A aliados, ele tem mencionado uma conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda em 2025, na qual recebeu incentivo para manter o projeto presidencial próprio.
Nessa conversa, Bolsonaro teria sinalizado que a existência de mais de um nome da direita no primeiro turno não traria prejuízo ao campo político, desde que houvesse convergência na fase final da disputa.
Vice-governador vê baixa chance de unificação imediata
Em dezembro, o vice-governador Mateus Simões (PSD), apontado como o sucessor natural de Zema em Minas, avaliou como reduzidas as chances de união imediata em torno de um único candidato da direita. Ele citou quatro nomes hoje colocados na disputa presidencial: Romeu Zema, Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro. Para Simões, faz mais sentido Zema levar a pré-candidatura até o fim neste momento, sobretudo por governar o segundo maior colégio eleitoral do país e ostentar alta aprovação em Minas.
Relação com Flávio Bolsonaro e estratégia para 2026
Apesar das negativas à composição como vice, aliados próximos acreditam que o quadro ainda pode mudar até o período de convenções partidárias e registros de candidatura, entre julho e agosto. Zema, porém, tem evitado tratar Flávio Bolsonaro como adversário direto na eleição presidencial de 2026.
Nas redes sociais, no início de dezembro, o governador lembrou a orientação recebida de Jair Bolsonaro ao anunciar sua pré-candidatura: mais de um nome da direita no primeiro turno poderia fortalecer o campo no segundo. Na mesma linha, ele classificou como “justo e democrático” o fato de Flávio Bolsonaro também apresentar sua própria candidatura, reforçando o foco comum de retirar o PT do poder.
Pré-campanha e acenos ao eleitorado
Enquanto os bastidores seguem em ebulição, Zema intensifica movimentos para se projetar nacionalmente. No último domingo, ele voltou a usar as redes sociais para falar de política em tom de metáfora, relacionando a limpeza do quintal de casa, em Belo Horizonte, às eleições de 2026.
No vídeo, o governador afirma que este é um ano para “dar destino para as frutas podres”, enquanto aparece recolhendo mangas caídas no chão. Em determinado momento, associa uma fruta “que caiu de maduro” à imagem do ditador venezuelano Nicolás Maduro, preso pelos Estados Unidos no início do ano, e defende que o Brasil também faça uma “limpeza” em 2026 para evitar um cenário “cada vez pior”.
Zema busca consolidar espaço na direita
Romeu Zema formalizou sua pré-candidatura em agosto de 2025, durante evento do Partido Novo em São Paulo. Desde então, trabalha para se posicionar como um dos principais nomes da direita na corrida ao Planalto em 2026. A expectativa é que ele deixe o governo de Minas até o fim de março, respeitando o prazo fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral para desincompatibilização de ocupantes de cargos executivos que pretendem disputar a Presidência.