STF marca para fevereiro de 2026 julgamento dos acusados de mandar matar Marielle Franco

Primeira Turma do Supremo vai julgar, em 24 e 25 de fevereiro de 2026, os réus apontados como mandantes e articuladores do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, crime que se tornou símbolo da violência política no Brasil

12/01/2026 às 09:50 por Redação Plox

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai abrir o ano judiciário de 2026 com um dos casos de maior repercussão dos últimos anos: o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, executados a tiros no centro do Rio de Janeiro em 2018.

O crime, ocorrido na região central da capital fluminense, expôs a violência política e a influência de milícias no estado, ganhando atenção nacional e internacional.

Marielle e Anderson Gomes foram atingidos por tiros dentro do carro em que estavam, na região central do Rio

Marielle e Anderson Gomes foram atingidos por tiros dentro do carro em que estavam, na região central do Rio

Foto: Renan Olza/ Câmara Municipal do Rio


Primeira Turma julga supostos mandantes em fevereiro

O julgamento na Primeira Turma do STF está agendado para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026. Será a primeira vez que os supostos mandantes do atentado vão sentar no banco dos réus da mais alta Corte do país.

Relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, a ação penal chegou à fase de julgamento após o fim da instrução processual, com a entrega das alegações finais pelo Ministério Público, pelas assistentes de acusação e pelas defesas.

Quem são os réus no STF

Entre os réus estão o ex-deputado federal Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Eles são apontados pela Polícia Federal como mandantes do assassinato.

Também será julgado o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, acusado de atuar como mentor intelectual do atentado.

Completam a lista de acusados Ronald Paulo Pereira, investigado por suposto monitoramento da rotina de Marielle, e o ex-policial militar Robson Calixto, acusado de auxiliar na ocultação da arma do crime e de integrar o núcleo financeiro do grupo.

Execução em 2018 e contexto político

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018. O carro em que estavam foi seguido por criminosos, que efetuaram diversos disparos. Os dois morreram no local, enquanto a assessora Fernanda Chaves, que também estava no veículo, sobreviveu ao ataque.

De acordo com a Polícia Federal, o assassinato está relacionado à atuação política de Marielle, que se posicionava contra interesses de grupos ligados à grilagem de terras e à ação de milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área de influência dos irmãos Brazão. As investigações apontam o crime como reação a sua atuação parlamentar e ao enfrentamento de grupos armados.

Delação de Ronnie Lessa e prisões

Nas investigações, ganha destaque a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso pelos disparos que mataram a vereadora e o motorista. Segundo o relato prestado à Polícia Federal, os irmãos Brazão teriam sido os mandantes do crime, e Lessa disse ter recebido a promessa de um pagamento milionário para executar a parlamentar.

Todos os acusados negam participação no assassinato. Atualmente, os réus estão presos preventivamente, com exceção de Chiquinho Brazão, que cumpre prisão domiciliar desde abril por motivos de saúde.

A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma do STF em junho de 2024. O julgamento de fevereiro tende a ser um marco no processo, quase oito anos após o crime que abalou o país.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a