BB calcula gasto acima de R$ 5 bilhões para recompor caixa do FGC após rombo do Banco Master
Fundo aprovou antecipação de contribuições e alta extraordinária de 50% na taxa regular; banco também relata queda no lucro com avanço da inadimplência no agronegócio
12/02/2026 às 16:10por Redação Plox
12/02/2026 às 16:10
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Banco do Brasil terá de desembolsar mais de R$ 5 bilhões para ajudar a recompor o caixa do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) após o rombo provocado pelo Banco Master. O valor foi detalhado pelo diretor financeiro da instituição, Geovanne Tobias, ao comentar o impacto das medidas de reforço do fundo sobre as contas do banco.
Banco do Brasil
Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Antecipação de contribuições e alta de despesas
De acordo com Tobias, já foi aprovada no FGC a antecipação de cinco anos de contribuições. Para o Banco do Brasil, essa decisão representa cerca de R$ 5 bilhões. Além disso, haverá um aumento extraordinário de 50% na contribuição regular, o que deve elevar as despesas financeiras em algo entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões.
O executivo explicou que o adiantamento das contribuições terá efeito patrimonial, uma vez que o montante sairá da tesouraria do banco, reduzindo possíveis ganhos com a taxa Selic. Mesmo assim, ele defende a estratégia de reforço do fundo, destacando que o banco está abrindo mão de receita com conhecimento do regulador.
Já foi decidido, no âmbito do FGC, a antecipação de cinco anos de contribuição. Isso, para o Banco do Brasil, fica em torno de R$ 5 bilhões. Além disso, vai ter um aumento na contribuição de 50% de forma extraordinária, que vai aumentar provavelmente uns R$ 450 milhões a R$ 500 milhões a mais nas despesas financeiras.
Geovanne Tobias
Segundo ele, a prioridade é recompor a liquidez do FGC o mais rápido possível, diante da importância do fundo para a confiança no sistema financeiro.
Impacto do caso Master e liquidação de bancos
A estimativa é que o caso Master consuma cerca de R$ 40 bilhões do caixa do FGC. Com a liquidação do Will Bank, em 21 de novembro, a conta deve subir em mais R$ 6,3 bilhões.
Dados de novembro de 2025 indicavam que o fundo acumulava R$ 125 bilhões para cobrir eventuais problemas em instituições financeiras. Com os novos desembolsos, a expectativa é de que sobrem aproximadamente R$ 78 bilhões disponíveis para futuras garantias.
Discussão sobre compulsório e regras do FGC
Para reduzir o impacto das chamadas ao FGC sobre os bancos, o setor discute com o Banco Central a possibilidade de liberação de parte dos depósitos compulsórios — recursos que as instituições são obrigadas a manter retidos no BC para situações emergenciais. Medidas semelhantes foram adotadas durante a pandemia, com o objetivo de estimular a economia.
Questionado sobre esse movimento, Tobias ressaltou que a eventual decisão cabe apenas ao regulador.
A pressão por mudanças nas regras do FGC antecede a liquidação do Master, mas se intensificou após o episódio. Os grandes bancos, principais financiadores do fundo, defendem uma atualização do modelo de contribuição, com maior peso para instituições consideradas mais arriscadas e dependentes de produtos garantidos, como CDBs.
Entre as propostas em debate está o aumento das contribuições de bancos mais alavancados. Uma atualização das regras é esperada para o segundo semestre de 2026.
Lucro do Banco do Brasil encolhe com agronegócio
O Banco do Brasil também detalhou o desempenho financeiro recente. Afetado pela alta da inadimplência no agronegócio, o lucro do quarto trimestre de 2025 caiu 40% em relação ao mesmo período de 2024, para R$ 5,7 bilhões. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve alta de 51,7%.
No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado somou R$ 20,7 bilhões, recuo de 45,4%. O RSPL (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), indicador de rentabilidade, passou de 21,4% para 11,4% em um ano, refletindo a piora no perfil de risco da carteira.
A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que os atrasos de clientes do setor rural em 2025 cresceram 500% frente à média histórica, mas ressaltou que a maior parte da carteira agro segue em dia.
Vamos continuar sendo o banco do agronegócio. 94% da nossa carteira agro está adimplente, gerando resultado.
Tarciana Medeiros
Renegociação focada na viabilidade do cliente
Segundo o banco, a renegociação de dívidas não é automática e depende da análise da viabilidade de cada cliente. Nos casos em que não há perspectiva de recuperação, as garantias são executadas.
Para novas operações e reestruturações, o BB tem priorizado contratos com alienação fiduciária, considerados mais seguros e com recuperação de crédito mais rápida do que os processos judiciais tradicionais. A estratégia busca limitar perdas futuras e acelerar o retorno dos recursos emprestados.