MP pede desinternação de adolescente após prisão de novo suspeito de chacina em padaria em BH
Homem de 30 anos foi preso em BH com arma e munições; jovem de 17 anos, apreendido inicialmente por triplo homicídio, segue investigado até o fim do inquérito
12/02/2026 às 12:15por Redação Plox
12/02/2026 às 12:15
— por Redação Plox
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Após a prisão de um homem apontado como novo suspeito da chacina em uma padaria de Ribeirão das Neves, na Grande BH, o Ministério Público de Minas Gerais pediu à Justiça a desinternação do adolescente que havia sido apreendido inicialmente por triplo homicídio. A informação foi divulgada durante pronunciamento conjunto da Polícia Civil e da Polícia Militar nesta quinta-feira (12).
Da esquerda para a direita, Nathielly, Ione e Emanuely
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O crime ocorreu no início de fevereiro e deixou três mortos a tiros. No primeiro momento, um jovem de 17 anos, ex-namorado de uma das vítimas, foi considerado o possível autor dos disparos e chegou a ser internado no sistema socioeducativo. A família e o advogado do rapaz negam o envolvimento dele no caso.
Adulto passa a ser o principal suspeito
Com o avanço das investigações, um homem de 30 anos, identificado como Magno Ribeiro da Silva, passou a ser apontado como principal suspeito da chacina. Ele foi preso na última terça-feira (10), em Belo Horizonte, com uma arma, munições, uma balaclava e uma motocicleta.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito frequentava a padaria onde ocorreu o crime e foi detido após uma tentativa de homicídio em uma oficina de Ribeirão das Neves. A corporação apura se há relação entre os dois casos e investiga a motivação dos ataques.
Nós tivemos, inicialmente, a apreensão em flagrante de um menor, que, após decisão do Judiciário, foi internado por suspeição de ato infracional análogo ao crime de homicídio. Na data de anteontem (10), foi feita a prisão em flagrante de um segundo indivíduo, maior de idade, por crime de porte ilegal de arma, que, diante dessas circunstâncias, passou a ser o principal suspeito do triplo homicídio.
delegado Thiago Machado
Apesar do pedido de desinternação apresentado pela promotoria, o adolescente continua como investigado até a conclusão do inquérito. Até a última atualização, não havia informação sobre a saída dele do sistema socioeducativo.
Outro delegado reforçou que o processo envolvendo o jovem ainda não está encerrado, mas que os novos elementos levaram o Ministério Público a pedir a revisão da medida de internação.
Como foi a chacina na padaria
Em 4 de fevereiro de 2025, uma adolescente de 16 anos e uma mulher de 56 foram mortas a tiros dentro de uma padaria no bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.
Na ocasião, a Polícia Militar apurou que o suspeito dos disparos era o ex-namorado da jovem e que o crime teria ocorrido após uma discussão motivada por ciúmes, segundo relatos de testemunhas. O rapaz foi apreendido, ouvido em uma delegacia da Polícia Civil e autuado por ato infracional correspondente ao crime de homicídio qualificado, diante de contradições no depoimento.
A terceira vítima, de 14 anos, foi socorrida em estado grave e levada para o Hospital Risoleta Tolentino Neves, mas não resistiu aos ferimentos. O ataque terminou com três mortes em um cenário de grande comoção no bairro.
De acordo com a PM, o atirador usava touca e capacete. Ele entrou na padaria, fez os primeiros disparos contra a adolescente de 16 anos e, em seguida, atingiu as outras duas vítimas.
Prisão e materiais apreendidos com o novo suspeito
O homem agora apontado como suspeito da chacina foi preso no bairro Céu Azul, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, na terça-feira (10). Com ele, a Polícia Militar apreendeu uma arma de fogo artesanal, munições, placas balísticas, uma touca ninja, um celular e uma motocicleta.
Conforme a PM, a prisão ocorreu após informações do serviço de inteligência da corporação sobre uma tentativa de homicídio em uma oficina de Ribeirão das Neves, registrada no dia anterior às execuções na padaria. Durante a abordagem, o homem teria assumido a autoria dos dois crimes e passou a ser investigado como responsável pelos ataques.
Carros da Polícia Militar em Ribeirão das Neves, na Grande BH, na porta de padaria onde chacina matou duas adolescentes e uma mulher
Foto: Reprodução/TV Globo
Quem eram as três vítimas
A adolescente de 16 anos foi identificada como Nathielly Kamilly Fernandes Faria. Ela era ex-namorada do jovem inicialmente apreendido e trabalhava na padaria. Segundo testemunhas, estava no caixa no momento do ataque e foi atingida por dois tiros, um na cabeça e outro no braço.
A mulher de 56 anos, identificada como Ione Ferreira Costa, era cliente do estabelecimento. Ela foi baleada duas vezes nas costas.
A terceira vítima, Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, era filha do dono da padaria e prima de Nathielly. Ela também estava em um dos caixas quando o atirador entrou e foi atingida na cabeça, no braço e na perna. Emanuely chegou a ser socorrida em estado grave, mas morreu no hospital.
Versão da família e da defesa do adolescente
A mãe do adolescente sustenta que o filho não cometeu o crime. O advogado da família, Gilmar Francisco dos Santos, afirmou ao portal g1 que recebeu com alívio a notícia da prisão do homem apontado como responsável pelas mortes e reforçou a inocência do jovem.
Segundo a defesa, além de enfrentarem o peso da acusação, o rapaz e os familiares não conseguiram viver plenamente o luto pela morte das vítimas. Para a família, a mudança de rumo nas investigações representa uma possibilidade de reparação moral ao adolescente.