Quaest: 67% dizem não ter sido beneficiados pela nova faixa de isenção do IR até R$ 5 mil

Levantamento aponta que 30% afirmam ter sido alcançados; 47% relatam algum impacto na renda familiar desde o início da vigência, em janeiro

12/02/2026 às 18:13 por Redação Plox

A nova faixa de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais ainda não é percebida como benefício direto pela maior parte da população, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (12). De acordo com o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam não ter sido beneficiados pela medida, enquanto 30% dizem que foram alcançados pela mudança. Outros 3% não souberam ou não responderam.


Notas de real

Notas de real

Foto: Reprodução/ RBS TV

Percepção de benefício e impacto na renda

Ao serem questionados se a nova isenção beneficiou diretamente o entrevistado ou sua família, os resultados foram:

Essa isenção beneficiou você ou sua família diretamente ou não?

  • Beneficiou: 30%
  • Não beneficiou: 67%
  • Não sabe/não respondeu: 3%

A pesquisa também mediu o efeito prático da medida no orçamento doméstico. Para 47% dos ouvidos, houve algum impacto da isenção sobre a renda familiar. Dentro desse grupo, 15% avaliam que a renda aumentou significativamente em janeiro, primeiro mês de vigência da nova faixa de isenção, e 32% afirmam que a renda aumentou, mas não muito. Já 50% dos entrevistados dizem não ter sentido diferença, e 3% não souberam ou não responderam.

Você sentiu impacto da isenção do IR na renda da sua família?

  • Sim, a renda aumentou significativamente: 15%
  • Sim, a renda aumentou, mas não muito: 32%
  • Não sentiu diferença: 50%
  • Não sabe/não respondeu: 3%

Como foi feita a pesquisa

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Entenda a nova faixa de isenção do IR

A isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o equivalente a R$ 60 mil por ano, passou a valer em janeiro deste ano. Antes da entrada em vigor, a expectativa era de que trabalhadores com salário mensal de R$ 5 mil tivessem um ganho de R$ 312,89 na renda mensal.

Segundo o economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e comentarista do Jornal da Globo, a medida beneficia cerca de 15 milhões de contribuintes.

A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula (PT). Além de ampliar a faixa de isenção, o texto criou um desconto progressivo para quem ganha até R$ 7.350 mensais. Contribuintes com renda acima desse patamar seguem pagando a alíquota máxima de 27,5% de imposto de renda, sem alterações.

Cobrança sobre altas rendas

A nova legislação também institui uma cobrança específica para contribuintes de alta renda, com ganhos anuais acima de R$ 600 mil. A tributação incide apenas sobre o valor que excede esse limite.

Exemplos apresentados no texto mostram como funciona a cobrança:

  • Quem ganha R$ 600.001,00 por ano paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%;
  • Com renda anual de R$ 615 mil, a alíquota chega a 0,25%, e o imposto mínimo devido é de R$ 1.537,50.

Carazza estima que um grupo entre 140 mil e 150 mil pessoas — contribuintes que recebem mais de R$ 50 mil por mês, ou R$ 600 mil por ano — passará a arcar com parte do custo da isenção concedida a quem ganha até R$ 5 mil mensais. Essa redistribuição de carga tributária concentra a cobrança no topo da pirâmide de renda, preservando a ampliação da faixa de isenção para a base de contribuintes.

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